quinta-feira, 17 de janeiro de 2013

Um dia recebes poesia

A capacidade de surpreender e de sermos surprendidos dá-nos um toque racio-emocional que nos humaniza.
 
Há dias estava eu ocupada com a minha escrita e com os meus prazos quase sempre falhados, quando recebo a visita de EC. Creio que não o via há uns três anos. Costumava aparecer com frequência quando a mulher IC, trabalhava connosco antes de se reformar.
 
Nesse dia trouxe uma caixinha de trufas de chocolate preto para a minha colega. A mim perguntou-me pela poesia. Sabe que gosto de ler, anos antes oferecera-me a antologia de Florbela Espanca. "Ando afastada dos poemas", comentei.
 
Ficamos enternecidas de o ver. "Apareça mais vezes". Não o dissemos como frase feita, mas sim com o sentimento genuíno, queriamos mesmo que repetisse a visita, porque há pessoas que nos fazem sentir felizes.
 
No dia a seguir recebi uma encomenda. Normalmente, quando me faltam alternativas envio os meus devaneios made in internet para o trabalho, é a única forma de evitar deslocações ao correio. Mas não me lembrava de ter encomendado nada...
 
Pego no pacote e vejo o nome do remetente... ainda antes de abrir exclamei "Recebi POESIA!". Abri o envelope e lá estava ele Fernando Pessoa, Antologia Poética. No interior uma nota com a sugestão de que começasse pelo "Tabacaria". E um pedido de desculpa pela caligrafia, o que me fez esboçar um sorriso (afinal eu já sabia que uma das coisas que mais o aflige aos 88 anos é estar a perder a visão, logo ele que adora ter por companhia os seus amados autores).

Há gestos que não têm preço... e que nos trazem poesia à vida!


TABACARIA (Álvaro de Campos - 15/01/1928)

Não sou nada.
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
(...)
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
(...)
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
(...)

quarta-feira, 16 de janeiro de 2013

Damien Rice...

Há imenso tempo que não ouvia Damien Rice (há anos estaria mesmo tentada a afirmar).  Algumas músicas são nostálgicas. São daquelas perigosas que  têm a capacidade de nos entristecer se são estivermos suficientemente fortes. Mas a letra é tão poderosa e o som tão envolvente que não resisti em relembrar duas delas.
 
Lembro-me de tocar o Cd vezes sem conta no carro, naquelas viagens que fazemos sozinhos e em que aproveitamos para cantar, reflectir, ouvir a música percorrer o nosso filme e concordar "Some things in life may change | And some things they stay the same | Like time, time, there's always time"!!!

Older Chests




The Blower's Daughter


terça-feira, 15 de janeiro de 2013

domingo, 13 de janeiro de 2013

Um pensamento de Eugène Delacroix

O segredo para não ter tédio, pelo menos para mim, é ter ideias.

Eugène Delacroix (1798-1863)

sexta-feira, 11 de janeiro de 2013

Coisas difíceis de encontrar * 2

RAIOS DE SOL num dia de chuva.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2013

Black feelings

Quando te sentes assim...
 
 
... é bom ter um amigo que te faz mudar de perspectiva! 
 
 
Thanks sweet P....

quarta-feira, 9 de janeiro de 2013

Coisas difíceis de encontrar * 1


MEIAS perdidas debaixo dos lençóis!!

terça-feira, 8 de janeiro de 2013

Um pensamento de Victor Hugo

Nada é tão poderoso no mundo como uma ideia cuja oportunidade chegou.

Victor Marie Hugo (1802-1885)

domingo, 6 de janeiro de 2013

Um homem não chora

 
Um homem não chora… só se não calhar!
 
Ok uma mulher chora mais. Deve ter um saco lacrimal proporcional à sensibilidade. E à capacidade de se emocionar mais frequentemente. (Assim, tipo eu esta tarde a ver os Miseráveis, quando na cena final deixei verter uma lagrimazinha que me percorreu o rosto. Deixei-a cair para evitar o gesto de a parar.) No fim todos temos vergonha de nos mostrarmos crus e humanos.
 
Estupidamente as lágrimas estão associadas a fraqueza. É por isso que só em último caso os espécimes do sexo masculino choram em público.
 
Entre nós mulheres há uma espécie de empatia inata. De compreensão instantânea. Uma sensação de deja vu, que nos permite ter a certeza de que tudo vai ficar bem.
 
Confesso que de todas as vezes que vi um homem chorar me senti mais impotente perante a sua tristeza. “O caso é grave!” Pensamos e tentamos que o momento passe depressa porque nos sentimos desengonçadas ao dar um abraço, ou a passar a mão pelo cabelo. Na verdade ficamos enternecidas por ver que pouca coisa se explica apenas pelo género.
 
Um homem não chora… só se não calhar... e é tão bom saber isso!

sexta-feira, 4 de janeiro de 2013

Um pensamento de Oscar Wilde

Egoísmo não é viver à nossa maneira, mas desejar que os outros vivam como nós queremos.

Oscar  Wilde (1854-1900)

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Pérolas na Cidade * 4

Estação do Cais do Sodré, Metro de Lisboa.  
 

quarta-feira, 2 de janeiro de 2013

Um pensamento de Walter Scott

Aos tímidos e aos indecisos, tudo se torna impossível porque assim lhes parece.

Walter Scott (1771- 1832)

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

Hello New Year!


Para o ano 2013 a minha lista de resoluções encolheu substancialmente. Mais do que procurar alguma coisa espero continuar a ser encontrada por uma sucessão de acontecimentos pequeninos, mas memoráveis. Mais do que grandes projectos, aguardo por inesperadas concretizações.
 
“Fora de cena quem não é de cena”, a nova temporada 2013, já começou. Contará por certo com muitos dos mesmos actores e cenários, alguns sairão provisoria ou definitivamente, mas muitos outros estão prestes a entrar.
 
Não há guião... mas afinal as cenas de improviso têm muito mais piada!

domingo, 30 de dezembro de 2012

Um pensamento de Albert Camus

A estupidez insiste sempre.

Albert Camus (1913-1960)

quinta-feira, 27 de dezembro de 2012

Como desarrumar um quarto em 3 segundos

Sapatos um para cada lado. Roupa atirada para cima de uma cadeira. Mala em cima de um cadeirão. Abrir uma encomenda ao centro, e espalhar o seu conteúdo à volta. Não podia ser mais fácil... nem mais desesperante. SOCORRO!!!

quarta-feira, 26 de dezembro de 2012

Pôr-do-Sol no Cabo Espichel

As coisas mais puras não têm preço. Se há coisa de que gosto são de pores-do-sol... E de pessoas que gostem de pores-do-sol.  Em poucos minutos passamos de um final de tarde para um começo de noite, como uma espécie de despedida de mais um dia que se tornou passado.
 
Quando a envolvente é o Cabo Espichel o momento torna-se ainda mais intenso. Se há sítio pelo qual sou apaixonada é por este lugar. Onde as arribas se juntam no mar picado, onde o vento sopra com intensidade, onde se caminha pelas pedras e se espreitam as falésias à distância, com medo de uma rajada mais forte ou de um passo em falso, que torne a beleza em tragédia.
 
Gosto de lá ir sozinha quando quero pensar. Gosto de ir acompanhada e partilhar algo. Assim foi a tarde de Inverno de hoje, no dia a seguir ao Natal, longe de lojas, de pessoas, de ruído, só cinco amigos e um pôr-do-sol...
 



 

segunda-feira, 24 de dezembro de 2012

Querido Pai Natal...



Querido Pai Natal,
Quando passares logo à noite cá em casa, não te esqueças de deixar um embrulho com bom senso, outro com equilíbrio, e um terceiro com juízo...
Prometo abri-los com carinho e dar-lhes uso durante todo o ano!!!

sábado, 22 de dezembro de 2012

sexta-feira, 21 de dezembro de 2012

Um pensamento de Woody Allen

Só há um tipo de amor que dura, o não correspondido.

Woody Allen (1935)

quinta-feira, 20 de dezembro de 2012

Um pensamento de Thornton Wilder

Os grandes momentos da vida vêm por si mesmos. Não faz sentido esperá-los.

Thornton Wilder (1897-1975)

quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

"One Last Tour"

Os Swedish House Mafia superaram todas as expectativas, no Pavilhão Atlântico, dia 18 de Dezembro, com num espectáculo incrível e um jogo de luzes fantástico!!!
 








 

segunda-feira, 17 de dezembro de 2012

Sapatos ou Patins?

Decididamente os dias de chuva têm o seu quê de diferente. Entre o ridículo e o divertido, quando no final tudo corre bem e não acabamos com um dente ou uma perna partida.
 
Hoje tive a brilhante ideia de calçar os sapatos acima ilustrados, que têm a particularidade de ter a sola de couro. Saí de casa leve e solta. Até que estaciono o carro e me dirijo ao metro debaixo de uns pingos de chuva. O chão estava obviamente molhado.

Eis que desço as escadas da estação e começo a patinar (só me apetecia ter uns pés de Hobbit, grandes, peludos e aderentes). Apesar de tentar agarrar os dedos aos sapatos, como uma espécie de ventosas, o efeito foi nulo.

Prossegui. A calçada portuguesa foi um novo desafio. Eis que me deparo com uma inclinação tendo já como horizonte a entrada do meu trabalho. O cenário, longe de ser animador, já foi palco de dezenas de quedas de colegas meus, em particular em dias de chuva.

Andar meio centímetro de cada vez tornou-se um desafio.

Eis que um transeunte cheio de boa vontade (ainda que com um ar duvidoso) se cruza comigo e repara que não me conseguia mexer. Então diz:
- Quer ajuda?
- Não obrigada! Já estou a chegar…
- Tem a certeza?!
-Sim, sim tenho, eu consigo lá chegar sozinha. (na verdade o equilíbrio tornava-se cada vez mais uma miragem).
- Então vou atrás de si para prevenir! (e enquanto diz isto aproxima-se de mim e começa quase a querer agarrar-me num braço).

 A custo lá cheguei. A saída para o almoço foi definitivamente outro pesadelo. O final do dia culminou com duas tiras de papel autocolante (daquele que se coloca por baixo das cadeiras para não riscar o chão) coladas à sola dos sapatos. E milagrosamente resultou! Desafio superado.

Melhor que isto só história do chapéu-de-chuva com duas pernas… http://teoriassemgarantia.blogspot.pt/2011/02/o-chapeu-de-chuva-com-duas-pernas.html

sábado, 15 de dezembro de 2012

Cloud Atlas

"Do útero ao túmulo todos estamos unidos, pelo passado, pelo presente e pelo futuro".
 
 
Um bom filme que ultrapassa a simples questão da reencarnação, sobretudo deixa-nos a pensar na forma como permitimos que a sociedade evolua. Mesmo que não acreditemos em almas, enquanto seres que evoluimos estaremos sempre ligados pelo passado, pelo presente e pelo futuro, em que cada geração deixa o seu tijolo. É pena que com tantos recursos, a construção seja por vezes tão imperfeita...
 
 

quinta-feira, 13 de dezembro de 2012

Um pensamento de Jacques Bossuet

A felicidade é um jogo que se compõe de tantas peças que há sempre algumas desajustadas.

Jacques Bossuet  (1627 - 1704)

quarta-feira, 12 de dezembro de 2012

Pérolas na Cidade * 2

Esta tarde dei por mim a olhar para os avisos que os meus colegas se lembraram de ir deixando pela empresa. Dignos de Portugal no seu melhor. Mas não se ria, quem sabe não dá de caras com eles numa organização perto de si…
 






 

terça-feira, 11 de dezembro de 2012

Sinais? Que sinais?


Durante o século XVIII e XIX as mulheres socorriam-se dos leques para comunicar os seus afectos. A linguagem dos leques tinha uma codificação própria. Por exemplo abanar muito depressa significava "sou comprometida", abanar o leque muito devagar queria dizer "sou casada", ou abrir todo o leque significava "espere por mim".

Parece que para tudo há sinais.

Quando algo acontece supostamente de forma inesperada, alguém nos questiona. “Não viste os sinais?”

Mas porque é que tínhamos de ver os sinais? Tudo seria mais fácil se fosse simplesmente claro e directo, sem meias palavras, sem indecisões, sem suspeitas, sem jogos do gato e do rato.

Com honestidade, pouparíamos muitas interpretações incorrectas, muitos incómodos desnecessários e sobretudo não alimentaríamos falsas expectativas. Não teríamos ilusões, consequentemente não existiriam desilusões.

Ora este elevado grau de honestidade levaria também a que não víssemos sinais a mais. Se num caso descuramos supostas evidências, no outro caso tendemos a fantasiar factos, a exacerbar pormenores e a criar histórias mirabolantes quando na verdade não passam de episódios comezinhos sem qualquer interesse para os demais protagonistas.

De que nos serve passar um tempo infinito a tentar descortinar significados “será que ele quis dizer isto ou aquilo?”, “será que fiz bem ou que fiz mal?”. Vivemos charadas emotivas inúteis quando tudo podia ser claro e cristalino.

Mas que raio de complexidade esta de se ser humano!...

segunda-feira, 10 de dezembro de 2012

Um pensamento de Erich-Maria Remarque

Sem o amor o homem é apenas um cadáver em férias.

Erich-Maria Remarque (1898 - 1970)

domingo, 9 de dezembro de 2012

A vida a cores: Amarelo, Dourado e Laranja

As visitas ao site da National Geographic são sempre memoráveis. Deixo uma selecção das galerias a vida a cores: o amarelo, o dourado e o laranja. Magníficas...