segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012

O artista


“O artista” foi o filme vencedor da 84ª edição dos Óscares. Francês, mudo e a preto e branco tornou-se o primeiro filme não anglo-saxónico a vencer o prémio de "Melhor Filme". Arrecadou ainda as estatuetas douradas de melhor actor, Jean Dujardin, melhor realizador, Michel Hazanavicius, melhor guarda-roupa e melhor banda sonora original.

O filme conta a história da decadência do cinema mudo e os primeiros tempos do cinema sonoro. A personagem, George Valentin, interpretada por Jean Dujardin , é uma estrela do cinema mudo que não aceita as mudanças na indústria, trazidas pela introdução do som. Para mostrar que o cinema mudo continua a ser o preferido do público Valentin tenta produzir os seus próprios filmes mudos, que não têm a aceitação daqueles que o adoravam. A estrela cai… e a fama dá lugar ao insucesso. Em simultâneo, a jovem actriz Peppy Miller, interpretada por Bérénice Bejo, que Valetin ajudara a lançar torna-se na nova deusa do cinema sonoro.

No final de uma forma peculiar Valetin acaba por se render aos novos encantos da sétima arte.

Um filme mudo onde aparecem inusitados momentos sonoros. Uma experiência “nova”… a mensagem para além da palavra. Recomendo.



domingo, 26 de fevereiro de 2012

World Press Photo 2000- 2011 | Fotos Vencedoras

Samuel Aranda, de nacionalidade espanhola, é o fotógrafo vencedor da edição 2011 do World Press Photo. Uma mulher de burca que segura um ferido. A foto foi tirada numa mesquita que servia de hospital às vítimas. Deixo as fotos vencedoras dos últimos anos.


Samuel Aranda, 2011



Jodi Bieber, 2010



Pietro Masturzo, 2009



Anthony Suau, 2008



Tim Hetherington, 2007



Spencer Platt, 2006



Finbarr O'Reilly, 2005



Arko Datta, 2004



Jean-Marc Bouju, 2003



Eric Grigorian, 2002



Erik Refner, 2001



Lara Jo Regan, 2000



http://www.archive.worldpressphoto.org/years

sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012

O fim da paixão

Um dia acordamos sozinhos apesar de alguém dormir ao nosso lado. E deixamos de ver a vida com uns óculos cor-de-rosa e com borboletas saltitantes no estômago. Ao invés disso colocamos uns óculos cinzentos onde só conseguimos perspectivar os defeitos e os maus comportamentos daquele que pensávamos que íamos amar para a vida. Então pensamos: “o que é que estou aqui fazer?”. Achamos que ao nosso lado repousa apenas um corpo e que a felicidade já não está presente.

Então com a nossa honestidade, inevitavelmente cruel, dizemos que temos dúvidas acerca do futuro, porque afinal o presente deixou de ser atractivo. Deixamos de ver as pétalas vermelhas da rosa e vemos apenas o vermelho do sangue causado pelos espinhos de quem começamos a deixar de mansinho.

Com a delicadeza da incerteza, douradas pelas dúvidas envoltas de palavras que ainda deixam antever amor, começamos a matar aquele cujos óculos ainda têm as lentes cor-de-rosa. Esses pobres ainda apaixonados e esperançados no futuro, que foram muitas vezes incorrectos e até malvados, ficam à mercê dessa esperança. Sedentos por água fresca no deserto… mas o deserto é o deserto e a água é tépida e não lhes mata a sede… mata-os a eles.

Vivem da tal esperança de voltarem a ser acolhidos. Sem perceber que estão apenas como uma espécie de dead man walking, a caminharem para um julgamento cuja sentença já foi decidida, pelo acumular de mau comportamento e actos irreflectidos que foram somando, e que deixaram de ter perdão… quando a paixão terminou.

quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012

Mixórdia de Temáticas - Luta Contra a Droga

Ora aí está Ricardo Araújo Pereira nas manhãs da Comercial. Hoje o tema foi a Luta Contra a Droga. Que antídoto genial para começar o dia... Rir é sem sem dúvida o melhor remédio! Deixo o leitor/ouvinte com o "Júlio Ribeiro", um tolinho anti-drogas... com uma visão muito à frente...


quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012

The Gift - Primavera

Os The Gift andam em digressão pelo País... a anunciar a Primavera... Doce ou com espinhos... o que é certo é que em breve as andorinhas estarão de regresso!



PRIMAVERA

Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci

Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti

E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim

Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...

Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...

Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

"Como Esquecer" - Um texto de Miguel Esteves Cardoso



Há textos intemporais… de vez em quando dou de caras com este, quando me ponho em arrumações de ficheiros e a fazer feng shui ao computador.

Paro. leio. Aprecio. reconheço… reconheço-me… e a todas as pessoas que amei e amo de verdade. Lembro-me de chorar dias a fio quando perdi o meu avô. Tinha 12 anos. Tenho pena que não me tivesse visto crescer. Recordei o sabor do trinajanrus de limão que me comprava no café vezes sem conta. Um dia a dor passou sem eu me aperceber passei a sorrir quando me lembrava dele.

O Miguel Esteves Cardoso tinha razão, há 20 anos quando escreveu este texto. Não nos podemos obrigar a esquecer, temos de nos permitir esquecer. Com a Dor. Com a Raiva. Com as Memórias. Quando estivermos preparados, um dia sorriremos ao recordar.


COMO ESQUECER

Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa, como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já não estar lá?

As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?

Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!

É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou coração. Ninguém aguenta estar triste, ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que se pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso primeiro aceitar.

Dizem-nos depois para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se tudo na alma, fica tudo desarrumado.

E o esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Porque é que sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. E a felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos partilhar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.

Mas o mais difícil de aceitar é que há lembranças e amores que necessitam do afastamento para poderem continuar. Às vezes a presença do objecto amado provoca a interrupção do amor. E a complicação, o curto-circuito, o entaralamento, a contradição que está ali presente, ali, na cara do coração, impedindo-o de continuar.

As pessoas nunca deveriam morrer, nem deixarem de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de nós. Mas é preciso aceitar. É preciso aceitar. É preciso sofrer, dar urros, dar murros na mesa, não perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perderíamos o coração. Perderíamos a religiosidade, a paciência, a humanidade até.

Há uma presença interior, uma continuação em nós do que desapareceu, que se ressente do confronto com a presença exterior. É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido muito feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores, à medida que se enraízam e alindam na memória que guardamos delas no coração. Regressar é fazer mal ao que se guardou.

Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas não se dão bem só conseguem amar-se bem quando não se dão. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer, é preciso aguentar.

Há grandeza no sofrimento. Sofrer é respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho dos erros que nos revolver as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor – temos de encontrar a raíz daquela paixão, a razão original daquele amor.

As pessoas morrem, magoam-se, separam-se, fazem os maiores disparates com a maior das facilidades. Para esquecê-las é preciso chorá-las primeiro. Esta é uma verdade tão antiga que espanta reparar em como ainda temos esperanças de contorná-la. Nos uivos das mulheres nas praias da Nazaré não há “histeria” nem “ignorância” nem “fingimento”. Há a verdade que nós, os modernos, os tranquilizados, os cools, os cobardes, os armados em livres e independentes, os tanto-me-fazes, os anestesiados, temos mesmo de enfrentar.

Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas das Caraíbas, livros de poesia – só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar fôlego. Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paciência e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios. A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. Nós somos feitos para aguentar com ela.

Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita de coração, uma peste inexterminável, barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.

O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.

E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia de Nazaré, mesmo com muita paciência e muita má-vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.

E quando alguém está sempre presente? Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.


Miguel Esteves Cardoso – Publicado no Semanário Independente a 26/10/1990 (reeditado no livro "Último Volume")

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Piadas de amigos - Yannick Djalo

Já se previa que o Yannick Djalo viesse a jogar no Benfica... Com uma filha Lyonce Viiktórya... Ora Lyonce de Leão... e Viiktórya de Águia!!!

Já agora Lyoncifica o teu nome em http://lyoncificaoteunome.com/

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Bicicleta com glamour

Quem é que disse que andar de bicicleta não podia ser glamouroso?

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

"Brigas nunca mais"

Cada um de nós tem fases musicais. A fase bossa nova é regada por um misto prazeroso entre a nostalgia e a boa disposição desmesurada. Impossivel não cantarolar e deixar o corpo fluir com o ritmo... Elis Regina tem este poder... e então se cantar Jobim...

Um delicioso minuto e 8 segundos...

Brigas Nunca Mais Tom Jobim

Chegou, sorriu, venceu depois chorou
Então fui eu quem consolou sua tristeza
Na certeza de que o amor tem dessas fases más
E é bom para fazer as pazes, mas
Depois fui eu quem dele precisou
E ele então me socorreu
E o nosso amor mostrou que veio prá ficar
Mais uma vez por toda a vida
Bom é mesmo amar em paz
Brigas nunca mais

segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012

Um pensamento de Pablo Neruda

Mediremos a vida em metros, quilómetros ou meses?

Pablo Neruda (1904-1973)


A Su trouxe-me esta frase de outro continente. Achei-a deliciosa. Está pendurada junto à minha secretária, e é inevitável contemplá-la de vez em quando.

Tenho com ela uma conexão especial. Pouco tempo antes de a receber tinha dado por mim a questionar-me sobre algo parecido. Mas com a inocente pretensão de que era um pensamento tão simples, e tosco, e estapafurdio, que ninguém alguma vez perderia tempo a desconstruí-lo.

Dei por mim a passar no corredor de passadeira vermelha pelo qual caminho quase todos os dias há nove anos. E pensei. "Há tanto tempo que passo aqui, para trás e para frente... Quantos quilómetros já terei percorrido neste corredor ao longo deste tempo?

Quantas estações passaram? Com quantas roupas diferentes? Com quantos papeís mão? Com quantos pensamentos? Com quantas dúvidas? Com quantas alegrias? Para trás e para a frente... Quantos quilómetros?!"

Talvez Neruda estivesse a passar no seu corredor vermelho quando reflectiu sobre isto. Talvez tenha percebido que a vida não se mede em metros ou quilómetros ou meses, mas sim em emoções. Em rasgos de felicidade. É isso que lhe dá sentido. Seja lá o que o que signifique a felicidade para cada um de nós...

quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012

Rebecca Dautremer

Andava eu à procura de um calendário para 2012 (depois de chegar à conclusão que os nossos parceiros este ano ano não nos iam oferecer nem um calendário de bolso) e eis que dou de caras com a "Alice no País das Maravilhas", com ilustrações de Rebecca Dautremer. Pesquisa puxa pesquisa e do calendário fui dar ao site desta ilustradora que tem tanto de doce, como de bem humorada... já para não mencionar que tem um nome lindo!!!







segunda-feira, 30 de janeiro de 2012

Dia da Saudade

Dia 30 de Janeiro é o dia da Saudade. Como definir saudade?

A Saudade pode ser boa, quando se sabe que a vamos poder matar. Que vamos poder saciar o bichinho da distância, distância esta que não precisa ser grande em quilómetros ou em dias, é grande apenas porque se sente Amor, se sente a falta, se sente um vaziozinho por preencher … e que é tão bom quando é finalmente preenchido. Esta saudade faz-nos felizes, porque esse vaziozinho não está desocupado, está tão só à espera da doçura do reencontro.

A Saudade pode ser má, quando se sabe que será eterna. Que não há bichinho qualquer para matar, que a pessoa partiu para sempre. Não está à distância de um abraço, não está à distância de um beijo, não está à distância de um telefonema. Já não está. E esta saudade é dura, não nos faz sorrir, deixa-nos tristes, faz-nos sentir que o vaziozinho por preencher, vai ficar ali a soar a eco, próprio dos espaços ocos e sem vida.


Gostoso Demais (hino à Saudade)

"Não me apetece trabalhar"

Nada melhor que começar uma segunda-feira, com umas dicas para levar uma semana santa. Agora que vão reduzir os feriados nacionais, criar o banco de horas... e tudo e tudo e tudo... é caso para dizer "olhe passa-se isto assim assim de maneiras que eu amanhã não posso vir trabalhar" !


domingo, 29 de janeiro de 2012

Um pensamento de Ayrton Senna

Não podemos voltar atrás e fazer um novo começo, mas podemos recomeçar e fazer um novo fim!

Ayrton Senna (1960-1994)

sexta-feira, 27 de janeiro de 2012

Cinema Paraíso... cena final

O cinema paraíso é um daqueles filmes que dá vontade de rever e sentir, pela ingenuidade, simplicidade e profundidade. A cena final é simplesmente deliciosa... os melhores presentes são aqueles que tocam na alma...


quinta-feira, 26 de janeiro de 2012

Peças de um Puzzle que escreve Teorias

Haverá momento mais determinante na existência de alguém do que o nascimento? Para mim não. Primeiro existe-se, tudo o resto é relativo. Fazem-se escolhas estruturais, que se elogiam ou lamentam. Depois há tantas outras que são ou parecem ser acessórias, das quais a memória rapidamente se esquece. Afinal, nenhuma vida é interessante 24 horas por dia.

Os meus 32 anos têm sido algo paradoxais, às vezes apimentados, outras tantas insonsos. Intensos e medrosos, felizes e cabisbaixos. A monotonia angustia-me e as incertezas causam-me deliciosos arrepios na espinha ou malfadadas insónias. Porém é sempre uma gloriosa conquista quando o desfecho é favorável à minha pessoa.

Fui durante algum tempo seguidora do “Depoimento” de Miguel Torga. Nele o protagonista investe contra um muro a vida inteira privando-se de crescer. Quanto a mim, acabei por lhe dar a volta, e quando cheguei ao outro lado vi que os pensamentos positivos são definitivamente libertadores.

Já fiz ballet e fui Capuchinho Vermelho. Só não consegui tirar a doce avózinha da barriga de um lobo chamado Alzeihmer. Fui filha de pais separados, fui filha de pais reconciliados, sou filha de pais divorciados. Ainda credito no casamento e nas relações duradouras. Sei alguns segredos e tenho no meu armário alguns esqueletos. Gosto de sorrir e de rir às gargalhadas até perder a respiração. Costumo discutir muito, ainda não aprendi a contar até dez, para discutir dez vezes menos.

Sou fã de bandas sonoras de filmes. Dá-me um gozo bestial no final de um dia de trabalho escapar-me até ao cinema, gosto de me comover com uma história e chorar no escurinho da sala. Adoro o colorido e o barulho das touradas e dos estádios de futebol. Venero o silêncio de uma noite de estrelas à beira mar.

Rejuvenesce-me viver experiências diferentes e com frequência quebrar com as rotinas.

No final sou simplesmente humana, repleta de defeitos, salpicada de virtudes… mas com uma força de Fénix, pronta a renascer das cinzas.

quarta-feira, 25 de janeiro de 2012

Um pensamento anónimo

"Aceita o fim e vai viver, porque sofrer pelo fim não te traz nada a não ser atraso de vida e tristeza."

Anónimo

terça-feira, 24 de janeiro de 2012

MEO GO MEO GO MEO GO....

Não sou cliente MEO nem nada que se pareça... quer dizer sou cliente TMN a quem tentam impingir algumas campanhas associadas. Mas lá que este teledisco teve piada teve... e já que falei ontem na categoria de música parasitária... nada melhor do que "Para o refrão ficar mesmo no ouvido...MEO GO MEO GO MEO GO"!

segunda-feira, 23 de janeiro de 2012

Música parasitária

Às vezes há aquela música parasitária que se mete na cabeça e passamos o dia a cantarolar. E a música toca… e o nossa sanidade vai ficando contagiada. Por norma são refrãos (ou refrães, que a palavra tem dois plurais) repetitivos facilmente absorvidos. Ora hoje foi um daqueles dias que o “Michel Teló” resolveu “me pegar”… alojou-se na parte cantante do meu cérebro e passou o dia comigo… Ai senhor, senhor!

Ai Se Eu Te Pego

http://www.youtube.com/watch?v=hcm55lU9knw

Sábado na Balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar

Nossa! Nossa!
Assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai, ai se eu te pego

Delícia! Delícia!
Assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai, ai se eu te pego

sexta-feira, 13 de janeiro de 2012

O casaco verde

O que não faltam nas ruas de Lisboa são casacos de fazenda. Pretos, cinza, encarnados, azuis e verdes... que dizer se calhar não há tantos casacos verdes assim como tudo isso. Quem os veste, experimenta uma espécie de efeito néon que nos assinala em cada situação social onde nos deslocamos de casaco verde bandeira.

Assim, nas lojas as empregadas abordam-nos a dizer que são doidas pela cor verde e que já correram a cidade inteira em busca de um casaco daquela cor e (surpresa!!!)não encontraram. É então que ganham coragem e questionam “onde é que o comprou?”.

Outra situação é a daqueles eventos que requerem alguns momentos na fila de espera em que é impossível deixar de se fazer notar a presença de tal peça. Passamos a mover-nos o resto da noite com um chip que nos distingue... estou aqui... agora sentei-me nesta mesa. É então que ouvimos o comentário “Reparamos que eram vocês que estavam ao nosso lado lá fora, mas não foi por nada (sim vocês são pessoas comuns não pensem que são glamourosos ou especiais) foi só por causa do casaco verde!”

Ou quando entramos no escritório e a colega de gabinete nos mira e comenta “que cor tão gira”, ou ainda a colega da sala ao lado que nos encontra à saída e exclama “que máximo”!

Máximo ou mínimo o meu casaquinho verde há já um ano que habita no meu roupeiro e lá vai saindo pelas ruas de Lisboa, colorindo o inverno por onde passa.

quinta-feira, 12 de janeiro de 2012

Passos Coelho emigra com mala de cartão


... E depois acordamos do sonho e percebemos que ele ainda é o Primeiro-Ministro do País!

domingo, 8 de janeiro de 2012

Um pensamento de Benjamin Constant

Infeliz daquele que, nos primeiros instantes de uma ligação amorosa, não acredita que ela vai ser eterna!

Benjamin Constant (1767-1830)


Qual é o sentido de duas pessoas estarem juntas se não acreditam que vão ficar juntas para sempre? O que o Amor tem de mais puro e a ingénua crença de que não terá fim. Se esta crença se desfaz em que é que se baseia tudo o resto? Em que é que assentam os projectos, em que base se constroem as etapas... talvez se solidifiquem no vazio de não desistir de lutar por qualquer coisa que não existe... que provavelmente nunca existiu e que dificilmente existirá. Vive-se no faz de conta, numa espécie de doença terminal que nos limita a perspectivar tudo como se não houvesse amanhã.

quarta-feira, 4 de janeiro de 2012

"Quero é viver"

Ainda agora começou o novo ano e os velhos hábitos já estão freneticamente a bater à porta. A lista de resoluções cheia de frescura e boas intenções foi atirada para o fundo de uma gaveta e em breve teremos dela apenas uma ideia vaga. São difíceis de combater estes profundos defeitos da existência... Lá para o meio de Janeiro errar torna-se novamente humano e 2012 transforma-se em mais um ano de sucessivos recomeços. Viver tem isto de bom vamos sempre a tempo de começar de novo e fazer sempre um pouco melhor dia após dia!

QUERO é VIVER (Humanos)




Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver

Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer

e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar, vou fugir ou repetir

vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir

encontrar, renovar vou fugir ou repetir

vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer

terça-feira, 3 de janeiro de 2012

Feeling white...

Porque a natureza é simplesmente inspiradora... Relax, take it easy... enjoy feeling white!















segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

SCUT... O aviso

Toda a gente já está avisado que 2012 vai ser um ano de crise. O pessimismo encontrar-se-á ao virar de cada esquina... Sem nos darmos conta seremos apanhados pelo aumento do custo de tudo e mais um par de botas. Alimentação, combustíveis, saúde, ensino, rendas.... etc, etc, portagens e as maravilhosas Scut onde por vezes passamos sem nos aperceber.

Por via das dúvidas (aplicável a quem não tem via verde, ou dispositivo adequado) depois de um percurso que nos leve a desconfiar de que estamos prestes a entrar em dívida deixo o link para a derradeira confirmação.

segunda-feira, 5 de dezembro de 2011

Gourmet... ou nem por isso?


Há dias entrei num centro comercial, na área dos restaurantes ditos fast food, onde impera o tabuleiro e a procura de uma mesa vazia algures dentro do espaço.

Subitamente tudo à minha volta era gourmet, os pregos... os hambúrgueres... as sopas... as massas...

Resolvemos experimentar um prego... de gourmet só tinha o nome, porque a qualidade do serviço, e a receita rebuscada dos acompanhamentos, deixou MUITO a desejar. Aliás deixou tanto que não fazemos a mínima intenção de lá voltar.

O conceito banalizou-se.

Por trás de um rótulo que pretende transparecer qualidade está a mesma comida de sempre. Com a agravante que passou a ser uma comida arrogante e pretensiosa, que se afirma como aquilo que não é, e publicita tudo o que não tem. Pratos feitos de aparência, que elevam as expectativas dos comensais, e cuja falácia é reconhecida logo na primeira dentada!

É a contrafacção de um conceito a minar a cozinha nacional.

quarta-feira, 16 de novembro de 2011

Um pensamento de François La Rochefoucauld

Nunca se é tão feliz nem tão infeliz como se imagina.

François La Rochefoucauld (1613-1680)

segunda-feira, 10 de outubro de 2011

A distância alimenta as tréguas

Encontrei há dias o meu antigo “chefe”, chamemos-lhe assim. Há pelo menos 3 anos que não o via. Na época em que partiu, confesso que não deixou nenhuma réstia de potencial saudade. Tinha o hábito comezinho de me ligar 5 minutos antes da hora de almoço com um rol de urgências, nada urgentes, que tinham de ser tratadas no imediato, repetia a cena no final do dia, o que o tornava extremamente irritante.

Arrastava-se com um ar de lorde inglês, e sorria ou vociferava do cimo de uma barriga gigante, demasiado gigante para a idade e para a saúde.

Quando entrou no gabinete há primeira vista não o reconheci. Visivelmente mais magro. O sorriso era o mesmo. Não pude deixar de fazer um ou outro comentário, à laia de brincadeira, o que na verdade me deu alguma satisfação.

Gostei de o ver. O meu ódio de estimação tinha-se diluído. A distância alimenta as tréguas e a mudança de papéis sociais também. Confesso que não teria prazer nenhum em voltar a trabalhar com ele, mas já não me enerva, pelo contrário deixou no ar uma sensação de paz.

Às vezes é assim. Distanciarmos-nos de um foco de tensão leva a que esse foco diminua de intensidade devagarinho, até que um dia se transforma em indiferença. Não indiferença no sentido de frieza, mas a indiferença do desapego. A indiferença que dois minutos já depois já esquecemos a personagem. E sobretudo a indiferença da SERENIDADE. Ficamos simplesmente serenos, como se essas pessoas ou acontecimentos nunca tivessem provocado um ciclone na nossa vida. Aí sim…está ultrapassado!

domingo, 9 de outubro de 2011

Um pensamento de Séneca

O homem que sofre antes de ser necessário, sofre mais do que o necessário.

Séneca (4 aC-65 dC)

sábado, 8 de outubro de 2011

As traças da existência

As traças são uns insectos incómodos. No nosso imaginário estão associadas aos furos nas camisolas de lã preferidas. Uma espécie de devoradores de sonhos, que quando abertos os baús para o início do ineverno tinham aniquilado o adorado casaquinho de cachemira, o cachecol com que tinhamos vivido uma aventura, ou a blusa de pura lã virgem de uma marca favorita...

Se era difícil livramos-nos delas? Sim sem dúvida. Impossível? Nem pensar...

Na verdade, de vez em quando aparecem na nossa vida esses bicharocos em formato virtual. Devoram-nos os sonhos, as esperanças, os projectos, a capacidade de criar e de até de evoluir. De um momento para o outro estamos involtos num marasmo existencial, rendidos às rotinas, e ao relógio de ponto que marca sempre a mesma hora de entrada e de saída. Vemos as mesmas caras. Fazemos cronogramas de tarefas profissionais, que mais do que projectos nos fazem projectar a passagem do tempo, num incessante corropio de urgência, que é urgente produzir.

Mas o que fazemos com tanta urgência? Será urgente correr? Ou por outra, será antes urgente parar?

No dia em que nos apercebemos que a nossa existência está a ser invadida por traças há que tomar medidas drásticas. Tomar o antídoto. Voltar a criar. E fazer diferente.

PS. Parece que este blog já estava com traças!

sábado, 3 de setembro de 2011

Um pensamento de Alphonse de Lamartine

Não há homem completo que não tenha viajado muito, que não tenha mudado vinte vezes de vida e de maneira de pensar.

Alphonse de Lamartine (1790-1869)

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Um pensamento de Jean-Pierre Claris de Florian

A vaidade torna-nos tão crédulos como tolos.

Jean-Pierre Claris de Florian (1755-1794)

sábado, 6 de agosto de 2011

A inveja

Inveja. Um dos sete pecados mortais. De vez em quando somos invadidos por um destes sentimentos maléficos que nos fazem desejar aquilo que os outros têm.

Um emprego, um objecto, uma viagem, uma família, uma pessoa, um momento, um afecto, uma surpresa... qualquer coisa que também gostariamos de possuir e que com certeza nos tornaria mais completos.

É fácil achar que a vida dos outros tem mais brilho. Talvez por que não estejamos dentro dela e não nos piquemos nos seus espinhos...

Invejamos o que é bom... ninguém quer as desgraças e os miserabilismos alheios. Ninguém inveja a dor, a tristeza, o fracasso... diria que sentimos um verdadeiro alívio por não sermos nós os bafejados com os episódios infelizes a que esporadicamente assistimos na existência das várias pessoas que nos rodeiam.

Já com a felicidade... sentimos uma espécie de injustiça por não ter sido à nossa porta que ela bateu. Para alguns é um sentimento permanente, acredito para a maioria seja um sentimento passageiro...

Mas quem é que nunca sentiu uma pontinha de inveja? E já agora quem é que nunca se sentiu invejado?

segunda-feira, 1 de agosto de 2011

Um pensamento de Martin Lutherking Jr.

A procrastinação é o maior ladrão de tempo.

Martin Lutherking Jr.(1929-1968)