quinta-feira, 22 de março de 2012
quarta-feira, 21 de março de 2012
Mais um pensamento de Carlos Drummond de Andrade
As dificuldades são o aço estrutural que entra na construção do carácter.Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
Até que ponto nos esforçamos por construir um bom carácter? É a forma como ultrapassamos os desafios, e aquilo que deles tiramos para nos melhorarmos enquanto seres que nos torna tão distintos e especiais.
A vida não teria a mesma piada se não sofressemos um bocadinho. Se não tivessemos de nos reconstruir de vez em quando. Se não precisassemos de lutar umas tantas vezes. É o modo como encaixamos essas dificuldades na nossa existência que nos define.
Só eu posso transformar as minhas derrotas em novos castelos, ou optar por deixar as pedras do lamento espalhadas em meu redor, sem nada fazer.
Só nós escolhemos sermos fortes ou fracos. E ser forte não é ter sempre razão, mas reconhecer que há fórmulas que não funcionam e por isso precisam de ser mudadas. Ser fraco é persistir no erro da imperfeição... impávido e sereno, ficando o pé por uma natureza que afirmamos fazer parte de nós, e que aceitamos como cristalizada e imutável.
segunda-feira, 19 de março de 2012
O Lelo Mais Fraco...
domingo, 18 de março de 2012
Um pensamento de Carlos Drummond de Andrade
Carlos Drummond de Andrade (1902-1987)
sábado, 17 de março de 2012
Horóscopo sem garantia – Peixes

Os nascidos entre 20 de Fevereiro e 20 de Março estão sob o signo de Peixes. Vejamos o que este mês tem para lhes oferecer.
A nível profissional tenha cuidado porque vai meter muita água. Gafes terríveis estão prestes a acontecer. Um verdadeiro pesadelo. Os astros aconselham-no a ficar de baixa para evitar o pior.
Quanto a finanças existem fortes probabilidades de não ganhar o euromilhões, o totoloto, a lotaria, o totobola, nem tão pouco a raspadinha. Talvez encontre uma moeda na rua, se isso acontecer guarde-a na carteira porque lhe trará boa sorte.
Se andar de transportes públicos em hora de ponta é provável que uma vez por outra fique esmagado entre outros indivíduos. Já se se deslocar de carro em hora de ponta na área de metropolitana de Lisboa ou Porto ficará preso no trânsito entre 30m a 1hora. Se estiver nevoeiro os tempos de espera agravar-se-ão.
No Amor querido Peixes tudo será cor-de-rosa. Se estiver num relacionamento prepare-se para um pedido de casamento em Paris, em frente ao quadro da Mona Lisa. Se estiver sozinho cruzar-se-á com um desconhecido (a) que lhe oferecerá flores ( e não é impulse!), os dois espirrarão em conjunto, percebem que têm um quadro de alérgico semelhante, o que faz de vós almas gémeas.
Lembre-se: cuidado com os tubarões. Pode aparecer um quando menos espera.
Dia de sorte: 3 (já passou, mas pode recordar o que de bom lhe aconteceu).
Dia de azar: 21 (cuidado a subir uma escada ou a subir uma árvore, a força da gravidade estará particularmente intensa neste dia).
quarta-feira, 14 de março de 2012
terça-feira, 13 de março de 2012
Cinema Paraíso ... A princesa e o soldado
segunda-feira, 12 de março de 2012
Um pensamento de John Tolkien
John Tolkien (1892-1973)
sábado, 10 de março de 2012
A propósito de um marido workaholic
A cena passa-se num escritório, sem luz natural, capaz de tirar o discernimento a qualquer alma que ali permaneça alguns meses, quanto mais se forem alguns anos…Eis que em fúria X desliga o telefone depois de perceber que o marido que padecera de 39º graus de febre na noite anterior, em que literalmente alucinara, estava naquela manhã numa importante e decisiva reunião de trabalho. A agravar estava o facto de se ter deslocado de carro sob o poderoso efeito dos medicamentos anti-gripe.
O desabafo, em tom exaltado, não podia ter sido mais certeiro depois de mais de 20 de pura dedicação do caríssimo marido à instituição onde trabalha.
“Levaram-lhe tudo. Levaram-lhe a JUVENTUDE. Levaram-lhe a SAÚDE. E agora até a MEIA IDADE lhe estão a levar”.
Quando chegamos à conclusão que nos estão a roubar a meia idade, percebemos que só nos restará a velhice. E quando lá chegarmos quem estará em nosso redor?
quinta-feira, 8 de março de 2012
Um pensamento de José Saramago
quarta-feira, 7 de março de 2012
"It's Smarter to Travel in Groups"
Bem, mas não podemos fazer uma interpretação extensiva do conceito de viajar em grupo. Veja-se a linha verde do metro de Lisboa, onde recentemente foi suprimida uma carruagem. A linha com pior frequência e seguramente com mais assaltos, ganhou subitamente mais calor humano. Personifica, sem sombra de dúvidas, o conceito de "sardinha em lata", onde a distância entre utentes não chega a ser de um milímetro.
Por agora é ainda Inverno. Os casacos e camisolas protegem-nos do contacto físico directo com os demais. E quando chegar o Verão? Creio que seremos atingidos por onda de odores intensos, misturada com um toque de braços entre desconhecidos... pavoroso!
Bem certo é que quem sofre por antecipação sofre a dobrar... mas para prevenir a chegada do caos do metropolitano, evitar baixas de tensão e agonias várias, estou a pensar munir-me de equipamento especial: uma mola com pouca pressão (para tapar o nariz) e uma capa de chuva transparente (esta última por sugestão de um colega meu, que enfatizou o transparente para deixar ver a indumentária).
A alternativa é voltar à linha azul... um percuso maior, mas por certo mais agradável, dentro daqueles que são dos limites do conceito agradável, aplicado aos transportes públicos em massa!
"It's Smarter to Travel in Groups"
segunda-feira, 5 de março de 2012
Picos à parte...

Picos à parte... este pequeno roedor é uma doçura!
Os espinhos são o seu mecanismo de defesa, desprendem-se do corpo com a maior facilidade quando se sacode, e dessa forma atingem o seu agressor.
Ao contrário do que se possa pensar, o ouricinho não tem a intenção de ferir, pelo contrário é tão seguro de si que não teme animais de grande porte.
Quantos de nós não deitamos uns picos de vez em quando? Talvez tenhamos de moderar as vezes que nos sacudimos, em especial quando sem querer ferimos quem não é inimigo!... E inevitavelmente acabamos feridos pelo nosso próprio instinto.
quinta-feira, 1 de março de 2012
Um pensamento de António Marinho e Pinto
António Marinho e Pinto
quarta-feira, 29 de fevereiro de 2012
Governo decreta que todos os anos serão bissextos
Hoje é dia 29 de Fevereiro. Não podia deixar de colocar um post, caso contrário só em 2016 conseguiria repetir a proeza.2012 é portanto um ano bissexto, com dia a mais. A nossa existência aumenta um dia, ao invés de 365, podemos desfrutar mais 24 horas intensas, perfazendo um total de 366 dias entre aniversários.
O ajuste é feito com o objectivo de manter o calendário anual ajustado à translação da Terra, adequando-a às estações.
Mas vendo bem as coisas as estações já não é o que eram… chuva nem vê-la e se bem me recordo o Verão foi tão comprido que quase chegou a Dezembro… inevitavelmente somos conduzidos para um raciocínio imbuído na austeridade que tanto se preconiza em Portugal e na Europa.
Ora se o dia a mais do ano bissexto serve para ajustar o homem à natureza, e se a natureza anda tão enlouquecida (talvez pela acção do próprio homem, embora isso não seja relevante para agora) então paralelamente à supressão dos feriados nacionais, civis e religiosos, o governo devia decretar que de agora em diante todos os anos teriam 366 dias de labor intenso, com um consequente aumento da produtividade.
Governo decreta que todos os anos serão bissextos, não foi a manchete dos jornais de hoje mas podia ter sido.
Ai estaria uma medida digna de AUSTERIDADE, com A maiúsculo!
segunda-feira, 27 de fevereiro de 2012
O artista

“O artista” foi o filme vencedor da 84ª edição dos Óscares. Francês, mudo e a preto e branco tornou-se o primeiro filme não anglo-saxónico a vencer o prémio de "Melhor Filme". Arrecadou ainda as estatuetas douradas de melhor actor, Jean Dujardin, melhor realizador, Michel Hazanavicius, melhor guarda-roupa e melhor banda sonora original.
O filme conta a história da decadência do cinema mudo e os primeiros tempos do cinema sonoro. A personagem, George Valentin, interpretada por Jean Dujardin , é uma estrela do cinema mudo que não aceita as mudanças na indústria, trazidas pela introdução do som. Para mostrar que o cinema mudo continua a ser o preferido do público Valentin tenta produzir os seus próprios filmes mudos, que não têm a aceitação daqueles que o adoravam. A estrela cai… e a fama dá lugar ao insucesso. Em simultâneo, a jovem actriz Peppy Miller, interpretada por Bérénice Bejo, que Valetin ajudara a lançar torna-se na nova deusa do cinema sonoro.
No final de uma forma peculiar Valetin acaba por se render aos novos encantos da sétima arte.
Um filme mudo onde aparecem inusitados momentos sonoros. Uma experiência “nova”… a mensagem para além da palavra. Recomendo.
domingo, 26 de fevereiro de 2012
World Press Photo 2000- 2011 | Fotos Vencedoras












sexta-feira, 24 de fevereiro de 2012
O fim da paixão
Um dia acordamos sozinhos apesar de alguém dormir ao nosso lado. E deixamos de ver a vida com uns óculos cor-de-rosa e com borboletas saltitantes no estômago. Ao invés disso colocamos uns óculos cinzentos onde só conseguimos perspectivar os defeitos e os maus comportamentos daquele que pensávamos que íamos amar para a vida. Então pensamos: “o que é que estou aqui fazer?”. Achamos que ao nosso lado repousa apenas um corpo e que a felicidade já não está presente.Então com a nossa honestidade, inevitavelmente cruel, dizemos que temos dúvidas acerca do futuro, porque afinal o presente deixou de ser atractivo. Deixamos de ver as pétalas vermelhas da rosa e vemos apenas o vermelho do sangue causado pelos espinhos de quem começamos a deixar de mansinho.
Com a delicadeza da incerteza, douradas pelas dúvidas envoltas de palavras que ainda deixam antever amor, começamos a matar aquele cujos óculos ainda têm as lentes cor-de-rosa. Esses pobres ainda apaixonados e esperançados no futuro, que foram muitas vezes incorrectos e até malvados, ficam à mercê dessa esperança. Sedentos por água fresca no deserto… mas o deserto é o deserto e a água é tépida e não lhes mata a sede… mata-os a eles.
Vivem da tal esperança de voltarem a ser acolhidos. Sem perceber que estão apenas como uma espécie de dead man walking, a caminharem para um julgamento cuja sentença já foi decidida, pelo acumular de mau comportamento e actos irreflectidos que foram somando, e que deixaram de ter perdão… quando a paixão terminou.
quinta-feira, 23 de fevereiro de 2012
Mixórdia de Temáticas - Luta Contra a Droga
quarta-feira, 22 de fevereiro de 2012
The Gift - Primavera
PRIMAVERA
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
E sei dos teus erros
Os meus e os teus
Os teus e os meus amores que não conheci
Parasse a vida
Um passo atrás
Quis-me capaz
Dos erros renascer em ti
E se inventado, o teu sorriso for
Fui inventor
Criei o paraíso assim
Algo me diz que há mais amor aqui
Lá fora só menti
Eu já fui de cool por aí
Somente só, só minto só
Hei-de te amar, ou então hei-de chorar por ti
Mesmo assim, quero ver te sorrir...
E se perder vou tentar esquecer-me de vez, conto até três
Se quiser ser feliz...
Se há tulipas
No teu jardim
Serei o chão e a água que da chuva cai
Para te fazer crescer em flor, tão viva a cor
Meu amor eu sou tudo aqui...
Sábado à noite não sou tão só
Somente só
A sós contigo assim
Não sou tão só, somente só
terça-feira, 21 de fevereiro de 2012
"Como Esquecer" - Um texto de Miguel Esteves Cardoso

Paro. leio. Aprecio. reconheço… reconheço-me… e a todas as pessoas que amei e amo de verdade. Lembro-me de chorar dias a fio quando perdi o meu avô. Tinha 12 anos. Tenho pena que não me tivesse visto crescer. Recordei o sabor do trinajanrus de limão que me comprava no café vezes sem conta. Um dia a dor passou sem eu me aperceber passei a sorrir quando me lembrava dele.
O Miguel Esteves Cardoso tinha razão, há 20 anos quando escreveu este texto. Não nos podemos obrigar a esquecer, temos de nos permitir esquecer. Com a Dor. Com a Raiva. Com as Memórias. Quando estivermos preparados, um dia sorriremos ao recordar.
COMO ESQUECER
Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa, como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já não estar lá?
As pessoas têm de morrer, os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar. Sim, mas como se faz? Como se esquece?
Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas!
É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou coração. Ninguém aguenta estar triste, ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguém antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que se pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso primeiro aceitar.
Dizem-nos depois para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se tudo na alma, fica tudo desarrumado.
E o esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.
Porque é que sempre nos momentos em que estamos mais cansados ou mais felizes que sentimos mais a falta das pessoas de quem amamos? O cansaço faz-nos precisar delas. Quando estamos assim, mais ninguém consegue tomar conta de nós. O cansaço é uma coisa que só o amor compreende. E a felicidade faz-nos sentir pena e culpa de não a podermos partilhar. É por estarmos de uma forma ou de outra sozinhos que a saudade é maior.
Mas o mais difícil de aceitar é que há lembranças e amores que necessitam do afastamento para poderem continuar. Às vezes a presença do objecto amado provoca a interrupção do amor. E a complicação, o curto-circuito, o entaralamento, a contradição que está ali presente, ali, na cara do coração, impedindo-o de continuar.
As pessoas nunca deveriam morrer, nem deixarem de se amar, nem separar-se, nem esquecer-se, mas morrem e deixam e separam-se e esquecem-se. Custa aceitar que os mais velhos, que nos deram vida, tenham de dar a vida para poderem continuar vivos dentro de nós. Mas é preciso aceitar. É preciso aceitar. É preciso sofrer, dar urros, dar murros na mesa, não perceber. E aceitar. Se as pessoas amadas fossem imortais perderíamos o coração. Perderíamos a religiosidade, a paciência, a humanidade até.
Há uma presença interior, uma continuação em nós do que desapareceu, que se ressente do confronto com a presença exterior. É por isso que nunca se deve voltar a um sítio onde se tenha sido muito feliz. Todas as cidades se tornam realmente feias, fisicamente piores, à medida que se enraízam e alindam na memória que guardamos delas no coração. Regressar é fazer mal ao que se guardou.
Uma saudade cuida-se. Nos casos mais tristes separa-se da pessoa que a causou. Continuar com ela, ou apenas vê-la pode desfazer e destruir a beleza do sentimento, as pessoas que se amam mas não se dão bem só conseguem amar-se bem quando não se dão. Mas como esquecer? Como deixar acabar aquela dor? É preciso paciência. É preciso sofrer, é preciso aguentar.
Há grandeza no sofrimento. Sofrer é respeitar o tamanho que teve um amor. No meio do remoinho dos erros que nos revolver as entranhas de raiva, do ressentimento, do rancor – temos de encontrar a raíz daquela paixão, a razão original daquele amor.
As pessoas morrem, magoam-se, separam-se, fazem os maiores disparates com a maior das facilidades. Para esquecê-las é preciso chorá-las primeiro. Esta é uma verdade tão antiga que espanta reparar em como ainda temos esperanças de contorná-la. Nos uivos das mulheres nas praias da Nazaré não há “histeria” nem “ignorância” nem “fingimento”. Há a verdade que nós, os modernos, os tranquilizados, os cools, os cobardes, os armados em livres e independentes, os tanto-me-fazes, os anestesiados, temos mesmo de enfrentar.
Para esquecer uma pessoa não há vias rápidas, não há suplentes, não há calmantes, ilhas das Caraíbas, livros de poesia – só há lembrança, dor e lentidão, com uns breves intervalos pelo meio para retomar fôlego. Esta dor tem de ser aguentada e bem sofrida com paciência e fortaleza. Ir a correr para debaixo das saias de quem for é uma reacção natural, mas não serve de nada e faz pouco de nós próprios. A mágoa é um estado natural. Tem o seu tempo e o seu estilo. Tem até uma estranha beleza. Nós somos feitos para aguentar com ela.
Podemos arranjar as maneiras que quisermos de odiar quem amamos, de nos vingarmos delas, de nos pormos a milhas, de lhe pormos os cornos, de lhe compormos redondilhas, mas tudo isso não tem mal. Nem faz bem nenhum. Tudo isso conta como lembrança, tudo isso conta como uma saudade contrariada, enraivecida, embaraçada por ter sido apanhada na via pública, como um bicho preto e feio, um parasita de coração, uma peste inexterminável, barata esperneante: uma saudade de pernas para o ar.
O que é preciso é igualar a intensidade do amor a quem se ama e a quem se perdeu. Para esquecer é preciso dar algo em troca. Os grandes esquecimentos saem sempre caros. É preciso dar tempo, dar dor, dar com a cabeça na parede, dar sangue, dar um pedacinho de carne.
E mesmo assim, mesmo magoado, mesmo sofrendo, mesmo conseguindo guardar na alma o que os braços já não conseguem agarrar, mesmo esperando, mesmo aguentando como um homem, mesmo passando os dias vestida de preto, aos soluços, dobrada sobre a areia de Nazaré, mesmo com muita paciência e muita má-vontade, mesmo assim é possível que não se consiga esquecer nem um bocadinho.
E quando alguém está sempre presente? Quando é tarde. Quando já não se aguenta mais. Quando já é tarde para voltar atrás, percebe-se que há esquecimentos tão caros que nunca se podem pagar.
Miguel Esteves Cardoso – Publicado no Semanário Independente a 26/10/1990 (reeditado no livro "Último Volume")
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012
Piadas de amigos - Yannick Djalo
Já agora Lyoncifica o teu nome em http://lyoncificaoteunome.com/
domingo, 19 de fevereiro de 2012
sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012
"Brigas nunca mais"
Um delicioso minuto e 8 segundos...
Brigas Nunca Mais Tom Jobim
Chegou, sorriu, venceu depois chorou
Então fui eu quem consolou sua tristeza
Na certeza de que o amor tem dessas fases más
E é bom para fazer as pazes, mas
Depois fui eu quem dele precisou
E ele então me socorreu
E o nosso amor mostrou que veio prá ficar
Mais uma vez por toda a vida
Bom é mesmo amar em paz
Brigas nunca mais
segunda-feira, 13 de fevereiro de 2012
Um pensamento de Pablo Neruda
Mediremos a vida em metros, quilómetros ou meses?Pablo Neruda (1904-1973)
Tenho com ela uma conexão especial. Pouco tempo antes de a receber tinha dado por mim a questionar-me sobre algo parecido. Mas com a inocente pretensão de que era um pensamento tão simples, e tosco, e estapafurdio, que ninguém alguma vez perderia tempo a desconstruí-lo.
Dei por mim a passar no corredor de passadeira vermelha pelo qual caminho quase todos os dias há nove anos. E pensei. "Há tanto tempo que passo aqui, para trás e para frente... Quantos quilómetros já terei percorrido neste corredor ao longo deste tempo?
Quantas estações passaram? Com quantas roupas diferentes? Com quantos papeís mão? Com quantos pensamentos? Com quantas dúvidas? Com quantas alegrias? Para trás e para a frente... Quantos quilómetros?!"
Talvez Neruda estivesse a passar no seu corredor vermelho quando reflectiu sobre isto. Talvez tenha percebido que a vida não se mede em metros ou quilómetros ou meses, mas sim em emoções. Em rasgos de felicidade. É isso que lhe dá sentido. Seja lá o que o que signifique a felicidade para cada um de nós...
quinta-feira, 9 de fevereiro de 2012
Rebecca Dautremer




segunda-feira, 30 de janeiro de 2012
Dia da Saudade
A Saudade pode ser boa, quando se sabe que a vamos poder matar. Que vamos poder saciar o bichinho da distância, distância esta que não precisa ser grande em quilómetros ou em dias, é grande apenas porque se sente Amor, se sente a falta, se sente um vaziozinho por preencher … e que é tão bom quando é finalmente preenchido. Esta saudade faz-nos felizes, porque esse vaziozinho não está desocupado, está tão só à espera da doçura do reencontro.
A Saudade pode ser má, quando se sabe que será eterna. Que não há bichinho qualquer para matar, que a pessoa partiu para sempre. Não está à distância de um abraço, não está à distância de um beijo, não está à distância de um telefonema. Já não está. E esta saudade é dura, não nos faz sorrir, deixa-nos tristes, faz-nos sentir que o vaziozinho por preencher, vai ficar ali a soar a eco, próprio dos espaços ocos e sem vida.
Gostoso Demais (hino à Saudade)
"Não me apetece trabalhar"
domingo, 29 de janeiro de 2012
Um pensamento de Ayrton Senna
Ayrton Senna (1960-1994)
sexta-feira, 27 de janeiro de 2012
Cinema Paraíso... cena final
quinta-feira, 26 de janeiro de 2012
Peças de um Puzzle que escreve Teorias
Haverá momento mais determinante na existência de alguém do que o nascimento? Para mim não. Primeiro existe-se, tudo o resto é relativo. Fazem-se escolhas estruturais, que se elogiam ou lamentam. Depois há tantas outras que são ou parecem ser acessórias, das quais a memória rapidamente se esquece. Afinal, nenhuma vida é interessante 24 horas por dia.Os meus 32 anos têm sido algo paradoxais, às vezes apimentados, outras tantas insonsos. Intensos e medrosos, felizes e cabisbaixos. A monotonia angustia-me e as incertezas causam-me deliciosos arrepios na espinha ou malfadadas insónias. Porém é sempre uma gloriosa conquista quando o desfecho é favorável à minha pessoa.
Fui durante algum tempo seguidora do “Depoimento” de Miguel Torga. Nele o protagonista investe contra um muro a vida inteira privando-se de crescer. Quanto a mim, acabei por lhe dar a volta, e quando cheguei ao outro lado vi que os pensamentos positivos são definitivamente libertadores.
Já fiz ballet e fui Capuchinho Vermelho. Só não consegui tirar a doce avózinha da barriga de um lobo chamado Alzeihmer. Fui filha de pais separados, fui filha de pais reconciliados, sou filha de pais divorciados. Ainda credito no casamento e nas relações duradouras. Sei alguns segredos e tenho no meu armário alguns esqueletos. Gosto de sorrir e de rir às gargalhadas até perder a respiração. Costumo discutir muito, ainda não aprendi a contar até dez, para discutir dez vezes menos.
Sou fã de bandas sonoras de filmes. Dá-me um gozo bestial no final de um dia de trabalho escapar-me até ao cinema, gosto de me comover com uma história e chorar no escurinho da sala. Adoro o colorido e o barulho das touradas e dos estádios de futebol. Venero o silêncio de uma noite de estrelas à beira mar.
Rejuvenesce-me viver experiências diferentes e com frequência quebrar com as rotinas.
No final sou simplesmente humana, repleta de defeitos, salpicada de virtudes… mas com uma força de Fénix, pronta a renascer das cinzas.
quarta-feira, 25 de janeiro de 2012
Um pensamento anónimo
Anónimo
terça-feira, 24 de janeiro de 2012
MEO GO MEO GO MEO GO....
segunda-feira, 23 de janeiro de 2012
Música parasitária
Ai Se Eu Te Pego
http://www.youtube.com/watch?v=hcm55lU9knw
Sábado na Balada
A galera começou a dançar
E passou a menina mais linda
Tomei coragem e comecei a falar
Nossa! Nossa!
Assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai, ai se eu te pego
Delícia! Delícia!
Assim você me mata
Ai se eu te pego
Ai, ai se eu te pego
sexta-feira, 13 de janeiro de 2012
O casaco verde
O que não faltam nas ruas de Lisboa são casacos de fazenda. Pretos, cinza, encarnados, azuis e verdes... que dizer se calhar não há tantos casacos verdes assim como tudo isso. Quem os veste, experimenta uma espécie de efeito néon que nos assinala em cada situação social onde nos deslocamos de casaco verde bandeira. Assim, nas lojas as empregadas abordam-nos a dizer que são doidas pela cor verde e que já correram a cidade inteira em busca de um casaco daquela cor e (surpresa!!!)não encontraram. É então que ganham coragem e questionam “onde é que o comprou?”.
Outra situação é a daqueles eventos que requerem alguns momentos na fila de espera em que é impossível deixar de se fazer notar a presença de tal peça. Passamos a mover-nos o resto da noite com um chip que nos distingue... estou aqui... agora sentei-me nesta mesa. É então que ouvimos o comentário “Reparamos que eram vocês que estavam ao nosso lado lá fora, mas não foi por nada (sim vocês são pessoas comuns não pensem que são glamourosos ou especiais) foi só por causa do casaco verde!”
Ou quando entramos no escritório e a colega de gabinete nos mira e comenta “que cor tão gira”, ou ainda a colega da sala ao lado que nos encontra à saída e exclama “que máximo”!
Máximo ou mínimo o meu casaquinho verde há já um ano que habita no meu roupeiro e lá vai saindo pelas ruas de Lisboa, colorindo o inverno por onde passa.
quinta-feira, 12 de janeiro de 2012
domingo, 8 de janeiro de 2012
Um pensamento de Benjamin Constant
Benjamin Constant (1767-1830)
quarta-feira, 4 de janeiro de 2012
"Quero é viver"
QUERO é VIVER (Humanos)
Vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
Amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será
mais um prazer
e a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com a idade
interessa-me o que está para vir
a vida em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar, vou fugir ou repetir
vou viver,
até quando, eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer
a vida é sempre uma curiosidade
que me desperta com idade
interessa-me o que está para vir
a vida, em mim é sempre uma certeza
que nasce da minha riqueza
do meu prazer em descobrir
encontrar, renovar vou fugir ou repetir
vou viver
até quando eu não sei
que me importa o que serei
quero é viver,
amanhã, espero sempre um amanhã
e acredito que será mais um prazer
terça-feira, 3 de janeiro de 2012
Feeling white...
segunda-feira, 2 de janeiro de 2012
SCUT... O aviso
Toda a gente já está avisado que 2012 vai ser um ano de crise. O pessimismo encontrar-se-á ao virar de cada esquina... Sem nos darmos conta seremos apanhados pelo aumento do custo de tudo e mais um par de botas. Alimentação, combustíveis, saúde, ensino, rendas.... etc, etc, portagens e as maravilhosas Scut onde por vezes passamos sem nos aperceber.Por via das dúvidas (aplicável a quem não tem via verde, ou dispositivo adequado) depois de um percurso que nos leve a desconfiar de que estamos prestes a entrar em dívida deixo o link para a derradeira confirmação.
Ps. À data deste post tinha um valor de 4,25€ para liquidar...
segunda-feira, 5 de dezembro de 2011
Gourmet... ou nem por isso?

Há dias entrei num centro comercial, na área dos restaurantes ditos fast food, onde impera o tabuleiro e a procura de uma mesa vazia algures dentro do espaço.
Subitamente tudo à minha volta era gourmet, os pregos... os hambúrgueres... as sopas... as massas...
Resolvemos experimentar um prego... de gourmet só tinha o nome, porque a qualidade do serviço, e a receita rebuscada dos acompanhamentos, deixou MUITO a desejar. Aliás deixou tanto que não fazemos a mínima intenção de lá voltar.
O conceito banalizou-se.
Por trás de um rótulo que pretende transparecer qualidade está a mesma comida de sempre. Com a agravante que passou a ser uma comida arrogante e pretensiosa, que se afirma como aquilo que não é, e publicita tudo o que não tem. Pratos feitos de aparência, que elevam as expectativas dos comensais, e cuja falácia é reconhecida logo na primeira dentada!
É a contrafacção de um conceito a minar a cozinha nacional.


















