segunda-feira, 25 de outubro de 2010

Um pensamento de Salvador Dali

Inteligência sem ambição
É um pássaro sem asas.

Salvador Dali (1904-1989)

quinta-feira, 21 de outubro de 2010

Cântico Negro

Às vezes a poesia tem um lado negro... mas que consegue ser igualmente delicioso e envolvente como o seu lado mais cintilante. Deixo o Cântico Negro de José Régio (1901-1969) declamado por Marco D'Almeida.


"Ninguém me diga: "vem por aqui"!
A minha vida é um vendaval que se soltou,
É uma onda que se alevantou,
É um átomo a mais que se animou...
Não sei por onde vou,
Não sei para onde vou
SEI QUE NÃO VOU POR AÍ!




terça-feira, 19 de outubro de 2010

Palavras homónimas


Na escola primária aprendemos a classificar as palavras de diversas formas. As graves, agudas e esdrúxulas. As homófonas, as homógrafas e as homónimas.

Estas últimas são das palavras mais interessantes do nosso vocabulário. Palavras com som e grafia iguais, mas com um significado diferente. Lêem-se e escrevem-se da mesma forma mas representam universos distintos.

Os exemplos que nos são dados a conhecer são básicos, de grau zero diria. MARCO, pode ser um nome próprio ou um depósito de cartas dos ctt. VELA. Pode ser sinónimo de luz, ou de velejar. CANTO. De ter uma bela voz, ou um canto da casa. E por aí fora…

Então um dia crescemos percebemos que o alcance das palavras homónimas é mais extenso do o que pensaríamos à primeira vista. Passo a explicar. Recebemos inocentemente um AMPLEXO, de alguém, que é como quem diz um ABRAÇO. Há então um terceiro alguém a quem resolvemos ofuscar com a nossa erudição de vocabulário e a quem damos um amplexo. Esse terceiro também não sabe o que a palavra significa e vai em busca do significado … e é então que diz à dupla inteligente e erudita “cuidado com as palavras homónimas!!!”….

Vai daí a dupla erudita encontra o tal outro sentido “Amplexo é uma forma de pseudocópula no qual um anuro macho se coloca no dorso do uma fêmea, agarrando-a com as suas patas, enquanto esta faz a postura dos ovos. Nesta altura, o macho fertiliza os ovos com o fluido que contém os espermatozóides”!

Confirma-se a língua portuguesa é muitíssimo traiçoeira!

sábado, 16 de outubro de 2010

Fashion Rules the World


É engraçado perceber que na Blogosfera os visitantes adoram blogs de moda.

Há qualquer coisa de hipnótico em sapatos, malas, brincos, casacos, pulseiras. Uma espécie de identificação entre nós próprios e os objectos. A projecção de como ficaríamos se os usássemos.

De certeza que todos já experimentaram a sensação de contemplação celestial. Aquela em que nos vemos ao espelho e pensamos “Mas que bem...”. Os mais narcisos chegam a enviar uns beijos a si mesmos, ou apontar o dedo qual pistola matadora, premindo o gatilho!

É verdade que o inverso também já nos aconteceu a todos, por vezes também somos invadidos pela sensação de que vislumbramos no reflexo um gremlin, uma gárgula, um gnomo ou coisa parecida…

O que os blogs de moda têm de poderoso é o facto de serem escritos por… pessoas comuns. E isso acresce o fascínio e a identificação com o autor.

Não me parece que a moda seja sinónimo de futilidade. Os bons produtos não têm necessariamente de ser embalados em embalagens descuidadas. O mesmo acontece com as pessoas.

E porque não vibrar com a novidade e a criatividade das várias peças. São obras de arte como uma qualquer pintura ou escultura… e com a vantagem de que as podemos sentir, vestir, usar,incorporá-las… integrá-las no nosso eu!

Uns fazem-no com estilo próprio, outros seguem as tendências básicas com medo da ousadia e da diferença, uns estão na moda, outros estão contemporâneos com classe e distinção! Confesso que sou mais adepta desta última categoria…

sexta-feira, 15 de outubro de 2010

10 Frases que Inspiram

Há pessoas que nos cativam. Pelo que são. Pelo que foram. Pelo que conquistaram. Ou por algo sábio ou tocante que disseram e que ecoou pelo mundo, transpondo gerações. Deixo 10 frases interessantes... que inspiram.










quarta-feira, 13 de outubro de 2010

O verdadeiro QUERER

Querer é quase sempre poder.
O que é excessivamente raro é o querer


Alexandre Herculano
(1810-1877)


É comum ouvirmos lamentos diários. As pessoas não gostam da vida que estão a viver. Os empregos que têm não as realizam. As relações que têm não as realizam. As escolhas que fazem não as realizam. As rotinas que têm são cinzentas e monótonas. A verdade é que vivemos numa sociedade cada vez mais insatisfeita.

Ao abrigo da crise e de uma panóplia de perspectivas também elas pouco coloridas, o amanhã vai ficando cada vez mais longe. O adiar da mudança perpetua-se, ou evapora-se essa vontade de mudança um bocadinho ao estilo do filme Revolutionary Road.

É aí que entra a frase de Alexandre Herculano. Quando se quer muito algo, com emoção, com uma vontade genuína, esse algo quase sempre se concretiza. Pode parecer lirismo mas a verdadeira derrota só acontece quando deixamos de tentar.

E é bem mais fácil baixar os braços, ficar com o sabor amargo da desistência, e deixar cair no esquecimento o gosto doce das conquistas. Porque as conquistas têm um gosto muito doce.

É com determinação que enumeramos tudo o que NÃO gostamos e que NÃO queremos. E no meio disto onde é que fica o VERDADEIRO QUERER, o verdadeiro gostar. Talvez não tenhamos um querer real. Talvez Alexandre Herculano tenha razão e o QUERER, com maiúsculas, seja excessivamente raro…

E se fizéssemos um esforço em prol deste querer. As 24 horas de cada dia passam depressa demais, para só se fazerem coisas do lado negro da lista, o lado reluzente deve ser reescrito. Não temos de ser brilhantes… temos antes de ser luminosos.

sexta-feira, 8 de outubro de 2010

Cheiro a Naftalina

Quem é que não se recorda do cheiro a naftalina do baú das avozinhas? A pergunta seguinte é óbvia…Quem é que gostava deste cheiro? Nem as traças nem nós. O odor da naftalina é daquelas sensações para esquecer.

E eis que chega o Outono, as primeiras lufadas de vento, as primeiras chuvas, o mau tempo, o ribombar dos trovões… o mau tempo em geral. É aí que algumas almas apegadas às mesinhas ancestrais retiram do sótão os perfumados casacos do Inverno passado.

E é ai que o cheiro a naftalina invade as ruas e os transportes e as pastelarias…e nos faz querer fugir do anacronismo de quem ainda utiliza as bolinhas brancas que à primeira vista se assemelham aos rebuçados bola de neve que também fazem parte do nosso imaginário, mas pelos melhores motivos (o sabor doce, o barulhinho do invólucro transparente)…

Sem se darem conta as pessoas transformam-se numa espécie de doninhas que vão deixando o rasto pela cidade… coitados de nós que nos cruzamos no seu corredor passageiro!!!

Com tanto produto anti-traça…

quarta-feira, 6 de outubro de 2010

Os três estágios de mau humor

Há pessoas que têm mau humor permanente. Outras mau humor passageiro. Outras que simplesmente não o têm.

Estas últimas deviam agradecer às energias divinas por serem uns felizes contemplados para quem o mundo sorri sempre, onde os sonhos são realidades, onde só existem palavras bonitas e boas, onde tudo é paz… e amor. Este grupo é restrito e muito raro.

Já os que padecem de mau humor passageiro são um grupo mais comum. Por vezes factores externos e/ou internos criam-lhes uma pequena nuvem cinzenta, que se materializa em sussurros com pequenas pragas, e em respostas tortas àqueles que se vão atravessando no seu caminho, com questões comezinhas e brincadeiras de ocasião. Estas pequenas feras, são porém inofensivas se ficarem em repouso sem contacto social durante o tempo que dura a perturbação. Este grupo têm tendência para manhãs complicadas que se dissipam depois de uma lufada de ar fresco.

Quanto aos que têm mau humor permanente, são espécies de trato mais difícil. Uma espécie de anti-sociais que no fundo experienciam rasgados laivos de infelicidade. Também este grupo é invulgar. Ainda bem diríamos nós, afinal um sorriso é uma espécie de dádiva…

sexta-feira, 24 de setembro de 2010

Marco Paulo no primeiro dia de Outono (ontem)

Se há rubrica que me anima no infernal transito de manhã, é a caderneta de cromos do Nuno Markl. Os míticos anos 80 ganham um brilho especial, em cada dia é abordado um clássico, desde o menino da lágrima, às bombocas e às calças de fazenda...

Um dos cromos desta semana era trilogia feminina do Marco Paulo. Ou seja as três músicas do cantor que têm nomes de mulheres: Anita, Joana e Susana.

A crónica tinha sido gira, o melhor ainda estava para vir. O autor (sem saber) mudou para sempre a vida de uma doce família…

No dia seguinte Nuno Markl não resistiu a ler um dos comentários deixados no facebook. A ouvinte descobrira naquela manhã que a mãe se inspirara no Marco Paulo para dar os nomes a si e às duas irmãs: Anita, Joana e Susana… coincidência… não…de todo!

Cá está a prova de como um programa de rádio pode traumatizar para sempre… ver para crer!


A ANITA...
Na versão Gato Fedorento: Tesourinhos Deprimentes



Oh JOANA...




E por fim...
SUSANA

segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Estereótipos de género

Os homens gostam de futebol. As mulheres gostam de compras.

Dúvidas? Nenhumas. Vejamos um simples estudo de caso.

De olhos a brilhar (de contentamento) o género feminino foi deixado no Dolce Vita Tejo. Os primeiros quarenta minutos foram passados ao telefone, enquanto fazia reconhecimento do local. Restavam-lhe cerca de três horas mais, para ver, experimentar, decidir, optar, escolher, e deixar umas ideias em carteira para uma visita futura.

O género masculino foi directo para o Estádio da Luz, assistir ao Benfica (2) – Sporting (0), na bancada central.

O reencontro de ambos não podia ter sido mais satisfatório. Duas mãos cheias de sacos. Um Benfica vencedor.

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Having a bad hair day

Há dias em que acordamos e em temos um problema: o nosso cabelo está indomável!

Ou é a electricidade estática, que nos põe de cabelos em pé. Ou é o remoinho na testa que o espeta para o lado. Está demasiado encaracolado. Está demasiado liso. Está demasiado volumoso. Está demasiado lambidinho. Não o conseguimos lavar. Lavamo-lo e o processo de secagem foi caótico.

Mas temos de sair de casa…

É então que nos tornamos obcecados com os reflexos. Os vidros das montras. O espelho retrovisor do automóvel. O monitor do PC… Mexemos e remexemos. Os homens põe-lhe água, as mulheres atam e desatam com elásticos, põem e tiram ganchos… vale tudo… menos dar uma tesourada!

Nesse dia temos uma sessão de fotos para o cartão do cidadão, para o cartão da empresa, para um artigo que escrevemos para uma revista, ou simplesmente há um colega que faz anos e que quer cristalizar o momento.

Nesse dia temos uma entrevista de trabalho, uma reunião com a direcção da empresa, ou simplesmente convidam-nos de surpresa para um jantar romântico.

Olhamos o nosso reflexo mais uma vez. Temos vontade de enfiar um saco de plástico na cabeça e ficar ali debaixo sem que nos aborreçam… porque raio é que todas as coisas importantes têm de acontecer enquanto temos um “bad hair day”?

Bem… pior que um “bad hair day”… só se for um “bad hair cut”!!!!

quarta-feira, 15 de setembro de 2010

Episódio na fila de trânsito


17h30, fila na ponte 25 de Abril. O regresso à outra margem corria como previsto. Paradinha logo na saída a seguir a Monsanto. Eis que um carro pára ao meu lado. O vidro estava aberto, pelo que ouvi chamarem por mim. Um casal de septuagenários, muito caricato e simpático perguntou-me:

- Oh menina! Onde é que é a fila para a ponte? (diz o senhor)
- É esta… (respondi)
- A menina deixa-nos entrar na fila, por favor?! (diz a senhora)
- Com certeza pode passar! (respondi)
- Obrigado Amori! (diz o senhor)

Entraram na fila e quando nos separamos mais à frente, o senhor de braço de fora gesticulou um frenético adeus de agradecimento.

A isto chama-se “condução fraterna” (afinal somos todos irmãos). Ou condução com boas maneiras, onde imperaria o “com licença” e “obrigada”!

A verdade é que as mais das vezes o volante nos transforma… não em seres cor-de-rosinha, mas em ferozes monstros capazes de chacinar o condutor infractor, abusador, desatento, chico-esperto… os nossos instintos selvagens despertam e tornamo-nos PERIGOSOS!!!!

domingo, 12 de setembro de 2010

Um ano de Teorias Sem Garantia

Há coisas que nos motivam. O meu Teorias Sem Garantia motiva-me. Dá-me vontade de escrever disparates e impropérios, delírios e desabafos, anedotas e filosofias.

Longe de ser um diário, diria que tenho uma mais uma espécie de opiário, onde se espelham alucinações alimentadas pelas personagens com que me cruzo todos os dias. São textos que acima de tudo visam caricaturar e estereotipar… a vida!

O giro de se ter um tratado de filosofia barata, é poder escrever desde o assunto mais erudito ao mais brejeiro.

Não o que queria demasiado sensível, nem demasiado estúpido, nem demasiado vazio, nem demasiado profundo. Queria qualquer coisa que desse para reflectir… Consegui. Às vezes com mais originalidade, outras com menos!

Obrigada, aos seguidores, assumidos e incógnitos!

Um ano depois, 114 posts colocados… as teorias continuam.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

A vida num teledisco


Entramos no carro. Colocamos a chave na ignição. Deixamos as janelas fechadas. Um dos nossos CD’s favoritos começa a tocar. E assim somos transportados para o nosso teledisco. Que na verdade nem é nosso. São os outros que preenchem as notas musicais que ouvimos. Dão-lhes cor. Emprestam a sua figura, e a sua existência para nós nos abstrair-nos da nossa… e realizarmos espontaneamente uma película.

A música enche o ar…e conseguimos respirá-la e deixar que nos entre em cada poro. Então começamos a olhar para a paisagem. A nossa cabeça fica vazia. Focamo-nos nas pessoas… e naquilo que nossos olhos retêm durante os escassos segundos que as vislumbramos enquanto passamos de carro por elas.

O cão. A senhora gorda com o vestido justo. Um par de seniores com um ar esguio que faz jogging. As folhas que se agitam nas árvores. As nuvens brancas que rasgam o céu azul. O autocarro que pára na paragem. Um casal de mãos dadas que passeia devagar. A velhinha sentada a ver passar o trânsito. E o alcatrão que passa por baixo das nossas rodas.

Todos estão lá menos nós. Nós evadimo-nos numa espécie de teletransporte que nos permite por momentos pairar sobre tudo. Não existir. Contemplar. É então que a música acaba e descemos ao nosso corpo. Abrimos a janela e acaba-se a outra dimensão. Voltamos ao frenesim… À nossa realidade.

Mais tarde, ou amanhã faremos tudo de novo. Talvez a musica seja a mesma, mas os pormenores são outros. E são as diferenças que têm tanta piada!

quinta-feira, 9 de setembro de 2010

Posturas pouco estáticas sobre cirurgia estética

Ora aqui está um tema sensível... superficial... mas extraordinariamente realista na sociedade em que vivemos. Bem na sociedade em que vivemos é como quem diz... já a Cleópatra, que nasceu em 69 a.C., era conhecida pelos seus banhos de beleza com leite de burra.

Há pessoas que não se importam com a linha cronológica do tempo, que se sentem mais experientes, que encaram a vida como um processo... um projecto... Outras não se conformam com a perda... e procuram uma espécie de elixir da eterna juventude!

Vale a pena rirmos disso!

POSTURAS POUCO ESTÁTICAS SOBRE A CIRURGIA ESTÉTICA

segunda-feira, 6 de setembro de 2010

Mais um pensamento de Napoleão Bonaparte

Nada é mais difícil e, portanto, tão precioso, do que ser capaz de decidir.

Napoleão Bonaparte (1769 - 1821)

sexta-feira, 3 de setembro de 2010

Leonard Cohen

Leonard Cohen actua no próximo dia 10 no Pavilhão Atlântico. Uma voz envolvente e com um sex appeal inconfundivel... Deixo uma das minhas músicas favoritas.

I'm Your Man



If you want a lover
Ill do anything you ask me to
And if you want another kind of love
Ill wear a mask for you
If you want a partner
Take my hand
Or if you want to strike me down in anger
Here I stand
Im your man

If you want a boxer
I will step into the ring for you
And if you want a doctor
Ill examine every inch of you
If you want a driver
Climb inside
Or if you want to take me for a ride
You know you can
Im your man

Ah, the moons too bright
The chains too tight
The beast wont go to sleep
Ive been running through these promises to you
That I made and I could not keep
Ah but a man never got a woman back
Not by begging on his knees
Or Id crawl to you baby
And Id fall at your feet
And Id howl at your beauty
Like a dog in heat
And Id claw at your heart
And Id tear at your sheet
Id say please, please
Im your man

And if youve got to sleep
A moment on the road
I will steer for you
And if you want to work the street alone
Ill disappear for you
If you want a father for your child
Or only want to walk with me a while
Across the sand
Im your man

If you want a lover
Ill do anything you ask me to
And if you want another kind of love
Ill wear a mask for you

quinta-feira, 2 de setembro de 2010

Um pensamento de Napoleão Bonaparte

Nunca interrompas o teu inimigo enquanto estiver a cometer um erro.

Napoleão Bonaparte (1769 - 1821)

quarta-feira, 1 de setembro de 2010

A eterna figura feminina da vida de um homem OU o complexo de Édipo

Quem é que não conhece a história de Édipo. A célebre personagem da mitologia grega que mata o pai e acaba por casar-se com a mãe. Segundo a lenda o Oráculo de Delfos previra que Laio, rei de Tebas seria assassinado pelo filho que casaria com a sua mulher Jocasta. Assim que o menino nasceu Laio abandonou-o num monte e pregou-lhe um prego em cada pé de modo a tentar matá-lo.

Édipo sobreviveu acolhido por uma família. Anos depois consulta ele próprio o Oráculo e tem a mesma previsão. Então foge sem saber que fugia da família adoptiva. No caminho encontra um homem com quem se envolve numa briga, acabando por matá-lo. Mais tarde derrota a Esfinge, o monstro, que aterrorizava o reino de Tebas. Casa-se e tem quatro filhos.

O homem que matou era Laio, seu pai. E a mulher com quem casou era Jocasta, sua mãe.

Mais tarde Freud recuperou a mitologia e aplicou-a ao desenvolvimento da criança. O chamado complexo de Édipo. Por volta dos três anos, a criança começa a sofrer proibições e deixa de poder fazer certas coisas porque é já é maior. A figura do pai representa a ordem cultural, a censura. A criança também começa a perceber que o pai pertence à mãe e por isso dirige-lhe sentimentos de hostilidade. O menino tem o desejo de ser forte como o pai e ao mesmo tempo odeia-o porque tem ciúmes da mãe, e afirma querer casar com ela.

Quando existem várias crianças numa família, o complexo de Édipo expande-se e passa a ser denominado complexo de família. Quando os filhos crescem, um dos meninos pode, com efeito, tomar a irmã como substituta da mãe, a qual não pode possuir somente para si, porque não conseguiu vencer seu rival, o pai.

A forma como se resolve o complexo edipiano influenciará a vida afectiva futura. Casos excepcionais à parte... resquícios, ficam sempre!

Como dizia uma colega minha. Na vida de um homem para além da mulher há sempre outra mulher… uma mãe, uma irmã, uma filha, ou até uma amiga daquelas que se perdeu a conta aos anos que se conhecem… e por mais asininas e caprichosas que sejam as suas ideias, concepções ou comportamentos, para eles estas terão sempre razão, simplesmente porque Sim!

À mulher resta-lhe um conceito… capacidade de encaixe!

quarta-feira, 25 de agosto de 2010

Fechar projectos

Às vezes damos por nós com uma série de portas abertas. São tantas que começam a fazer corrente de ar. E as correntes de ar quase sempre são nocivas para a saúde.

Neste caso podemos dizer que se trata de uma corrente de ar mental, que nos deixa com as ideias frágeis e atordoadas. Diria mesmo engripadas, esgotadas de energia criativa.

Nessa altura percebemos que temos tantos projectos a correr em paralelo que nenhum ganha verdadeiro brilho. Percebemos que adiamos tanto tempo algumas concretizações que estas perderam sentido, e que deixamos de ter tempo útil para realizar outras tantas.

Aí agarramos na chave e vamos trancar portas. Fechar assuntos. Avançar. Decidir. E nessa altura sentimos que afinal evoluímos, talvez não da forma como planeamos inicialmente, talvez não da forma como desejaríamos, mas fomos capazes de deixar de marcar passo e subitamente ganhamos de novo controlo sobre nós próprios!

terça-feira, 24 de agosto de 2010

Marcelino Diamantino

De vez em quando deparamo-nos com alguns personagens que ilustram determinados clichés. Este senhor lembrou-me a célebre personagem de Rafael Bordalo Pinheiro, criada em 1875, o “Zé Povinho”.

Marcelino Diamantino é revisor da CP. Alto, encorpado, barba rala meio feita, meio por fazer. Mãos grossas. Barriga proeminente presa no cinto das calças.

Ar indiferente de quem já calcorreou carruagem a carruagem até perder a conta. Por certo vai de Oeiras ao Cais do Sodré. Do Cais do Sodré a Cascais, sem sequer se aperceber que ao lado há um mar imenso. Que às vezes o sol ilumina a paisagem, e que outras vezes as nuvens lhe conferem um ar cinzento.

Este revisor é ele próprio cinzento. Não é simpático, não é mal disposto. Máquina de conferir bilhetes na mão. Antigamente talvez usasse um daqueles picos que deixavam um furo certeiro nos bilhetes já usados. Agora limita-se a conferir a validade.

Não resisti e olhei para a placa de identificação (não me lembro da ultima vez que tivesse tido curiosidade em saber como alguém se chamava). Lá estava. Marcelino Diamantino. E pensei “que bem que o nome lhe assenta!”

quarta-feira, 18 de agosto de 2010

“Sou gorda por dentro!!!”

Estávamos numa amena conversa do lanche das 16h30. Não se trata propriamente da conhecida “hora Coca Cola Light”, mas da pausa diária para distender os sobrecarregados neurónios ocupando-os com conversas às vezes leves e interessantes, outras pesadas e dramáticas, e outras ainda fúteis e sem conteúdo.

É então que a minha caríssima colega, com os seus esguios 32 anos, me diz com um ar de pânico. “Nem queira saber! Fui mostrar à médica os resultados das minhas análises, vim de lá com a constatação de que tenho o Colesterol com valores muito superiores ao máximo aconselhável, e os Triglicérides estão na mesma!!!”.

Prosseguiu. “A médica deu-me um raspanete e disse-me que tenho de fazer dieta! Vou desaparecer! Eu que sempre comi tudo porque sou magra… Agora descobri que SOU GORDA POR DENTRO!”

Dá ou não dá que pensar?! Cá está como as aparências iludem. Por trás de uma super barrigita ultra lisa, que nos leva a ir “pecando” com frequência, pode estar escondido o silencioso monstro da gordura…

terça-feira, 17 de agosto de 2010

Ser magra

Porque será que as tiras da Maitena são tão deliciosas? Arrancam-nos um sorriso “rasgadérrimo” porque temos a sensação de identificação imediata. São a ilustração de clichés que materializam o nosso lado paranóico, delirante, complexado, malandro, entusiástico, ardente, frágil, encantador, problemático, extravagante, caloroso, vulnerável, raivoso, indeciso, delicado, apaixonado, amoroso, desfeito, miserável, puro, verdadeiro…. FEMININO.


sexta-feira, 13 de agosto de 2010

Pipocas no cinema


Os filmes exibidos no cinema King são por norma fora do mainstream cinematográfico exibido na maioria das salas do país. Aqui já se sabe que não há pipocas, nem comida de qualquer espécie entra dentro da sala. É assim, porque os amantes destas películas veneram o cinema, como uma obra de arte que tem de ser respeitada.

Não tenho nada contra este princípio, mas as idas sucessivas a centros comerciais, despertaram-me o gosto de de vez em quando levar para dentro da sala um pacote de pipocas doces e salgadas, que vão deliciosa e ruidosamente sendo ingeridas de cena em cena.

Mas o acto de comer estes “milhos em flor” nem sempre é pacífico, nem apreciado pelos demais espectadores. Outras vezes é a nós próprios que causa embaraço…

Ora quem é que já não tropeçou e encheu a sala de pipocas? Ou deu um solavanco a meio do filme surtindo o efeito anterior? Quem é que já não teve um roedor a mastigar incessantemente ao seu ouvido? Quem é que já não se sentiu desenquadrado, mastigando pipocas numa sessão de um filme alternativo (lá por ser exibido num centro comercial, não deixa de respeitar a regra da “obra de arte”) Quem é que não levou pipocas para dentro de um filme silencioso, em que só as mordia de meia em meia hora, durante uma cena mais ruidosa?Ah pois…

Nunca fiz das pipocas um ritual cinematográfico, mas de vez em quando, sabem tão bem!!

quarta-feira, 11 de agosto de 2010

O peixe que sabia a mofo…

O peixe que sabia a mofo, ou a noite em que o Benfica perdeu com o Porto.

Final de tarde de Sábado. Segundo o comentário do LC, para ser um Sábado perfeito só faltava jantar num sítio simpático e o Benfica ganhar a taça. Nesse mesmo dia o meu rico primo infernizara a vida à namorada e à irmã, barafustando contra a praia, que os três desfrutaram durante toda a tarde.

Os nossos planos convergiram com os deles nesse final de Sábado em Galapinhos. “E que tal se fossemos a Setúbal comer um belo peixe assado?”. Alinhamos de imediato. “Pedimos a uns amigos umas dicas de um sítio descontraído, com peixe fresco e sobretudo que tenha grandes ecrãs plasma”, comentaram.

Descemos a Avenida Luísa Todi. Estacionamos e dirigimo-nos para o pé da lota. Do restaurante nada. A caríssima prima, triste por não encontrar o local, telefona à amiga para que lhe desse as coordenadas precisas. Et voilá… caminhamos junto ao Sado rumo a uns terrenos mal amanhados e descobrimos o “Bombordo”.

O aspecto meio sujo deixou-nos reticentes, mas a proximidade da hora do jogo, levou a que entrássemos. Deparamo-nos com dois televisores com ar de caixote, um dos quais estava avariado. O primo começou a ficar alterado. Avisaram-nos que dentro de instantes ia começar um momento de música ao vivo. O cenário ideal. O jogo mal se via. O artista cantava Rui Veloso (versão brasileira) em plenos pulmões.

O pior não tardava a chegar. O peixe. Um rodízio de peixe que devia conhecer todos os setubalenses, ou talvez todos os habitantes do distrito.

Salgado. Torriscado….Carapaus a saber a mofo. Os clientes da casa condiziam com o ambiente em geral. Quanto à cereja no topo do bolo: baratas castanhas a passear na calçada…. Felizmente conseguimos resistir à tentação imaginativa de as vislumbrar dentro do recinto.

E no meio disto o Benfica perde. E alguém na mesa quase que estrangula os companheiros de jantar… Sobrevivemos ilesos!!!!

terça-feira, 10 de agosto de 2010

“As vidas dos outros”

Os Anaquim têm uma música gira “As vidas dos outros”. Fala da forma como simplificamos os problemas alheios e “monstruizamos” os nossos.

A verdade é que a vida dos outros é simples. Nela tudo é fácil de resolver. Por vezes levamos as mãos à cabeça com tamanho disparate que vemos os outros fazerem. Usamos o nosso lado crítico e ponderado que nos leva a encontrar todas as respostas.

Na vida dos outros conseguiríamos encontrar a perfeição enquanto pessoas. O certo e o errado têm limites bem traçados. As emoções são balizadas e é fácil perceber os exageros, os pecados. É fácil de dissipar todas as dúvidas. É fácil de equacionar todas as respostas.

Na vida dos outros somos muito racionais a dar conselhos. A hierarquizar prioridades. A relativizar situações. A acabar com relacionamentos. A esquecer pessoas. A dar a resposta adequada. A evitar discussões. A arriscar. A fazer dieta. A fazer exercício. A assumir sentimentos. A aceitar criticas. A evitar ciúmes. A resolver pendências. A encontrar o trabalho certo. A viver...

A vida dos outros é muito mais fácil de viver… que a nossa!




ANAQUIM - As Vidas Dos Outros

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Há sempre um conselho a dar p'rás vidas dos outros
Nada é eterno e se aguentarmos todo o mal tem fim
É fácil ter calma quando a alma não me dói a mim
Eu sou tão bom a tornar todo o mal inerte
Se é aos outros que lhes custa que o passado aperte
Mas quando a inquietude vem toda para o meu lado
Deita-se, desnuda e não desgruda até me ter vergado

É tão simples quando estou de fora
A ver passar as nuvens pelo ar
Aplaudir, rever-me e concluir
Que eu também já lá estive e...
Já soube ultrapassar
Só a mim é que ninguém me entende
E a minha dor não tem como acabar
Ai quão melhor era acordar um dia
E ter as vidas dos outros todas em meu lugar

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim

Eu sou tão bom a falar das vidas dos outros
Sempre me sei comportar nas vidas dos outros
Volta, revolta, o melhor está para vir
Solta tudo agora, não demora, tornas a sorrir
Eu são tou bom a apagar qualquer mau momento
Se é aos outros que lhes bate à porta o sofrimento
Mexe, remexe, alguma coisa hás-de encontrar
A solução é procurar

Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a cantar
Eu sou tão bom a contar as vidas dos outros
Eu sou tão bom a falar
Eu sou tão bom a curar
Tudo menos o meu próprio mal

As vidas dos outros nunca me soam mal
Veêm problemas no que é no fundo normal
Ai se eles soubessem como é viver assim
As vidas dos outros são tão simples para mim

sexta-feira, 6 de agosto de 2010

Conte uma Fábula e Melhore o seu EU

Durante um zapping radiofónico matinal, parei por acaso na Antena1 e ouvi a Fábula da Galinha dos Ovos de Ouro, de La Fontaine. A história é mais ou menos assim.

Um homem tinha uma galinha que punha um ovo de ouro por dia. Não satisfeito com a quantidade, o proprietário decide cortar o pescoço à galinha de modo a descobrir o tesouro que o animal tinha dentro da barriga. Qual não é o seu espanto quando descobre que nada havia dentro da galinha. Era uma galinha normal igual às outras!

Moral da história, a ganância de tudo querer, leva a que tudo se perca.

A verdade é que as fábulas têm uma componente educativa interessante, útil e necessária. Para além de estimularem a imaginação, ajudam a construir o nosso EU social. Relembremos as boas fábulas e aprendamos a ser melhores pessoas.


Movimento Conte uma Fábula e Melhore o seu EU

quarta-feira, 4 de agosto de 2010

Pendurite… mais ou menos aguda

A pendurite, mais ou menos aguda, é um distúrbio típico dos condutores… que não estão a conduzir.

Vejamos. No momento em que o condutor passa para o lugar do pendura, geralmente num carro que não é o seu, a pessoa começa a sofrer um processo de transformação. Olha fixamente para a estrada. Um nervoso miudinho percorre-lhe todo o corpo. Começa-se a mexer no banco. Pressiona os pés contra o vazio em busca do pedal do travão.

Numa outra fase da pendurite, o pendura, chega a pressionar um braço, uma perna, ou o pescoço do condutor exteriorizando assim sua intenção de travar.

Às manifestações físicas acrescem manifestações verbais. São muito comuns interjeições como “o sinal está vermelho”, “tens aí um stop”, “não vás na faixa da esquerda”, “não te aproximes tanto do carro da frente”, “daquele lado há menos fila”, “podias ter seguido por ali”… às vezes é mais directo outras vezes opta pela técnica das dicas, em que vai subtilmente (pensa ele que é subtil) dando sugestões de condução.

A pendurite tolda portanto a parte racional, que permite ao pendura verificar que o actual condutor também tem olhos, cérebro e mais…SABE conduzir!!!

Testes comprovaram que se o condutor for pendura no próprio veículo a manifestação da pendurite quadruplica de intensidade.

segunda-feira, 2 de agosto de 2010

Um pensamento de Truman Capote

A vida é uma peça de teatro razoavelmente boa com um terceiro acto mal escrito.
Truman Capote (1924-1984)

terça-feira, 20 de julho de 2010

A Tunísia em tons de azul – Última parte

“Viajar é nascer e morrer a todo o instante”, disse um dia Victor Hugo. A verdade é mesmo essa. Nascemos ao descobrir sítios novos e é como se morrêssemos em cada regresso. Se pensarmos bem é uma frase inspiradora, afinal multiplicamos a nossa existência e isso possibilita-nos viver muito mais. Deixo uma selecção de fotos tiradas na viagem (by LC).



















segunda-feira, 19 de julho de 2010

Um passeio de dromedário – Parte III



Eis que se inicia uma viagem de cerca de 1200 km. Primeira paragem El Jem para vermos o Coliseu Romano. Se há coisa que gosto nos monumentos é de imaginar as pessoas deram vida àquele espaço, neste caso feras e gladiadores… (longe de ser um cenário sereno!).

Seguimos rumo a Matmata. Entramos numa casa troglodita, de um povo berbere. Uma casa real escavada na rocha, que é diariamente invadida por dezenas de turistas sedentos de conhecimento da cultura local. A senhora recebe-nos com um pão tradicional e uma taça de azeite. Temos liberdade para fotografar todas as divisões e os habitantes… como uma espécie de extra-terrestres a conhecer os hábitos do planeta Terra!

Continuamos estrada fora rumo ao deserto. Chegamos a Douz e às portas do Sahara. Aguardava-nos um passeio de dromedário. Em cáfila passeamos pelo deserto. O meu querido Micho passou metade do caminho a dar uma espécie de coices, como se calcula não dá propriamente muita segurança para uma jovem aprendiz!

No dia seguinte acordamos antes do nascer do sol. Pelas 6h já estávamos no deserto do sal. A luz da manhã é encantadora, especialmente se acompanhada de um inesperado tocador de flauta de pele curtida, vestido de branco, que parece pertencer à imensidão de uma paisagem feita de tudo e de nada.

Passamos por um Oásis plantado e por um Oásis natural. Ao estilo da road 66 viajamos de 4x4 numa estrada onde se multiplicam os sinais de “perigo de dromedário se atravessar no caminho”. Ao longe vemo-los pastar. O nosso condutor sintoniza uma rádio local de veras eclética… desde grupos árabes a gipsy kings!

A viagem continua, paramos em Kairouan, mas por ser de tarde não chegamos a entrar na mesquita.

Às 18h regressamos a Hammamet. Tempo de dar um mergulho no mar. A estadia continuou com compras, espectáculos e mergulhos.


Continua…

quinta-feira, 15 de julho de 2010

A arte de Regatear – Parte II

Na Medina de Nabeul afinamos a arte de regatear. Confesso que ter de regatear me deixa meio enlouquecida. Quando um objecto que custa de início 45 dinares tunisinos (1 dinar = 0,53 euros) consegue ser comprado por 10 dinares depois de muito esforço, imagine-se as vezes que não perdemos a oportunidade de grandes descontos porque temos a tentação de converter em euros.

Na mesma manhã fomos até à Medina antiga de Hammamet. As ruas são limpas e estreitas. Os pormenores que se encontram ao virar de cada esquina fazem as delícias dos fotógrafos. Numa das lojas a senhora queria trocar o meu porta moedas por um objecto da loja. À entrada da Medina um homem com um grande chapéu de flores na cabeça aproximou-se de mim e sugeriu que tirássemos uma foto com ele. Cedemos. De seguida queria-me vender jasmim, e pôr-me o chapéu na cabeça. Acabamos por ter de lhe pagar um dinar pela foto inicial.

Tudo é motivo para se pagar um dinar. Nas visitas aos monumentos para além da entrada pagamos um dinar pelo direito a fotografar. A verdade é que mesmo o que é pensado para turistas, custa metade do que pagamos em Portugal por qualquer coisa.

Dias depois fomos até ao deserto…

Continua…

quarta-feira, 14 de julho de 2010

Tunísia… recomenda-se! – Parte I


As fotos dos guias turísticos que recomendam a Tunísia como destino de férias não ficam longe da luz que conseguimos captar neste país do Magreb.

Ficamos na zona nova de Hammamet. Ao longo da costa proliferam hotéis com centenas de quartos a escassos metros da praia. A água é límpida e o azul do mar encantador. Esta região do norte tunisino é no entanto demasiado turística e ocidentalizada, contrariamente ao sul onde os habitantes não encaram o turismo da mesma forma. Um rasgo de desilusão invadiu-nos à chegada, mas dissipou-se pouco tempo depois.

Na praia misturam-se as mulheres de bikini, com as mulheres de véu. Os fatos com que se banham na água são autênticos fatos de mergulho, à mostra ficam apenas a cara as mãos e os pés, muitas vezes pintados com desenhos retorcidos. Pelas ruas não vimos nenhuma burca, mas multiplicam-se as mulheres de véu.

As excursões, ainda que pensadas para visitantes conseguem-nos mostrar um outro lado da Tunísia, uma perspectiva real e repleta de contrastes. Estivemos em Tunis, a capital política do país desde o século X, Cartago, grande rival de Roma antiga fundada em 814 a.C. e em Sidi Bou Said, um local conhecido por inspirar pessoas das artes e letras, situado em cima de uma colina, onde predomina o azul e branco das casas, que são aliás as cores oficiais da habitação no pais.

O presidente, no poder desde 1987, é uma imagem comum em placares nas ruas e emoldurado nas lojas e nos átrios dos hotéis. A bandeira da Tunísia é outra constante pelo país. A religião oficial é a muçulmana. As linguas oficiais são o árabe e o francês.

Continua…

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Falar em “inho”

Há pessoas que falam por diminutivos. São as chamadas pessoas fofinhas. Em cada frase que proferem multiplicam-se as palavras terminadas em “inho”.

Estes seres utilizam tal terminologia não apenas nas relações pessoais, mas no domínio profissional. “Aguarde só mais um bocadinho”; “Dou-lhe já a chavinha, para dar uma voltinha, e ver que o carrinho é maneirinho na condução”; “Temos bacalhauzinho, com batatinha assadinha, regado com azeitinho”; “Qual é o autor do livrinho que procura?”; “Agora é preencher o formulariozinho.”; “Preciso da sua assinaturazinha”; “Estou só à espera da Mariazinha”; “E se fossemos jogar uma partidinha de ténis”…

Se se apercebessem de como ficam com um ar fraquinho, talvez se decidissem a pensar um bocadinho e a rever a estratégia. Os seus discursos tornar-se-iam com toda a certeza no mínimo mais encorpadinhos!!!!

quarta-feira, 23 de junho de 2010

Um pensamento de Marcel Proust

É espantoso como o ciúme, que passa o tempo a fazer pequenas suposições em falso, tem pouca imaginação quando se trata de descobrir a verdade.

Marcel Proust (1871-1922)

terça-feira, 22 de junho de 2010

Sem certeza…

Quando entrei para o ciclo, num dos primeiros testes de ciências da natureza, deparei-me com algumas dúvidas na resolução. Então tive a ideia brilhante de escrever junto a cada questão “sem certeza”. Não queria parecer estúpida. Se estivesse mal ao menos não demonstrava convicção no erro…Tive como nota “excelente” e o aviso de que se voltasse a repetir a proeza as perguntas seriam cotadas como erradas…

A verdade é que na generalidade das vezes as certezas simplesmente não existem. Vivemos num espécie de limbo permanente. Como artistas de circo que atravessam as alturas sob cordas finas, às vezes sem rede. Como montanhistas que desafiam as alturas, às vezes sem ar. Como desportistas que descem rápidos desconhecidos, em caiaques frágeis. Acredita-se que se pode chegar… mas a certeza nunca se tem.

De um momento para o outro levanta-se uma tempestade. E as casas voam. E os barcos naufragam. E as plantações ficam destruídas. E chega o fim de qualquer coisa. Porque seja lá o que for, teve um início, e terá (agora sim com certeza) um desfecho.

Só não podemos pensar nele…ou acabamos por cobrir a luz da esperança.

quinta-feira, 17 de junho de 2010

Um pensamento de Michel de Montaigne

Aquele que castiga quando está irritado, não corrige, vinga-se.

Michel de Montaigne (1533-1592)

sexta-feira, 11 de junho de 2010

O que tem em comum o teu passaporte e o meu?

Qual é coisa qual é ela? … que tem:
> Assinatura torta
> Orelhas de fora
> Olhar a direito
> Boca fechada
> Cabelo de rato
> Olheiras
> Sorriso de Mona Lisa
E ainda…
> Cara de criminoso

O passaporte de todos nós!

É maravilhoso o processo de metamorfose que sofremos. Vejamos o que se consegue em três tentativas de fotogenia. Uns olhos de carneiro mal morto; e pedimos para apagar. Entretanto pomos a cara de lado; não melhorou e nem é permitido. E por último arregalamos os olhos, ficamos com ar depressivo, como se o mundo fosse acabar… e já não temos coragem de pedir à simpática senhora do guichet para repetir… afinal temos a senha 105. Já com a assinatura temos mais uma hipótese, à quarta lá vai… se bem que a pinta do “i” podia ser ainda melhor .

Bem vistas as coisas a finalidade não é parecermos bem, mas sermos uma antevisão de um meliante. Em caso de detenção basta acrescentar um número por baixo da foto…